Ele é o Best-Seller mais polêmico dos últimos anos, símbolo da libertação (ou libertinagem) feminina, (quase) ninguém lê em público e está no imaginário dos homens e mulheres. Mas é tudo isso mesmo?

Para começar a falar de 50 Tons e Cinza, é imprescindível contar aqui de onde o livro surgiu. A autora, E.L. James – mais uma das várias mães nos seus 40 anos que viraram fãs de Crepúsculo – começou a escrever fanfics (crônicas que os fãs escrevem a partir de uma história já existente) sobre a trilogia dos vampirinhos em um dos seus fan sites. Seus contos envolviam os personagens principais do livro, no caso Bella e Edward – um casal de pura emoção ­– em situações um pouco diferentes e bem mais picantes. A escritora começou por introduzir todo o sexo e o desejo latente que existia entre o casal (que em Crepúsculo, praticamente não aconteceu) nos seus contos eróticos, com cenas intensas e bem descritivas das relações sexuais entre os dois personagens.

A partir do sucesso de suas crônicas, que na época se chamavam “Master of the Universe”, por questões de direitos autorais, James teve que readaptar os personagens: trocou os nomes, algumas descrições, situações e cenários. Nascia então, 50 Tons de Cinza.                                                                          Dito isso, podemos começar a entender um pouco mais desse fenômeno, que faz tanto sucesso hoje, no mundo inteiro.

A fórmula é a seguinte: Garota comum + Homem bonito, gentil e milionário = paixão avassaladora. Já viram esse filme antes? Pois é. O que James faz aqui, com essa fórmula do sucesso, é trazer o lindo imaginário do Crepúsculo: um homem maravilhoso, perfeito em todos os aspectos, desejo de consumo de todas as mulheres do mundo, que se apaixona pela “Girl Next Door”, a nossa heroína comum, com problemas de auto-estima, complexada e sem sal, mas bonita do seu jeito, inteligente, corajosa e que desperta empatia em todas –eu disse todas– as mulheres na face do planeta Terra. Adicione à fórmula do sucesso mais duas xícaras (ou duas panelas) cheias de sexo, uma pitada de sadomasoquismo, mais uma pitada de passado-obscuro-esperando-pela-salvação e pronto, está aí o mais novo Best-Seller.

Mas para quem ainda nunca ouviu falar deste livro mesmo estando em contato com a civilização, a história se passa em torno de uma universitária recém formada, virgem e pura no alto dos seus 21 anos, que tem todas as características já citadas anteriormente.  Ana, a heroína, conhece o milionário Christian Grey (entenderam o porquê do nome do livro?) – mais bonito do que tudo que você já viu na vida, misterioso, que esconde um passado cheio de traumas e uma tendência à perversão e sadomasoquismo. A partir do momento em que se conhecem, Ana e Christian se entregam a paixão e a um contrato – que envolve cláusulas, artigos, parágrafos e a assinatura de dominador e submissa – de regras, sexo, punição, dor e prazer.

Cheio de fantasias eróticas, 50 tons de cinza acertou em cheio um público ávido por este tipo de fantasia – as mães casadas, com seus 40 anos, que trabalham, cuidam dos filhos, da casa e dos maridos, que acabam se realizando ao viver esta história perigosa de sexo e amor através da personagem – aquilo que crepúsculo ofereceu para as adolescentes, só que de uma maneira bem mais adulta. Por isso, o apelido “Pornô para mamães” ganhou fama.

Já a história em si, não é uma das mais complexas que você já viu. A trama se passa na maior parte do tempo, nos devaneios e nas neuras de Ana e sua obsessão por Grey, nas cenas de sexo, é claro, e no mistério que envolve a figura de Christian Grey, incluindo seu passado traumático.

Mesmo assim, com todos os clichês e o final que todo mundo já espera e eu não vou contar aqui, o livro tem o seu valor – tanto por ser o primeiro a quebrar um tabu, ou por ser uma leitura leve e fácil, que transporta para cenários imaginários, de sexo (um pouco de utopia e esperança), amor e salvação – tudo o que as mulheres querem.

 

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One Response

  1. Andrea Galvão

    Apesar de eu achar o início do livro meio forçado (Ana NUNCA se interessou por um homem e, de repente, se apaixona a primeira vista por Grey?!), gostei bastante do livro (realmente deve ser pq sou mulher, como vc disse acima hahahah)…
    E dá para entender pq as ‘mamães’ da vida gostam: querem ‘apimentar’ um pouquinho sua vida. Eu não sei se vc chegou a ver umas fotos que eles fizeram para expandir essa ideia de pornô para mamães. Estão mto engraçadas! Depois dá uma pesquisada!

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