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O jogo Assassin’s Creed já virou uma franquia de sucesso inquestionável, portanto, era de se esperar que a produtora, Ubisoft, trabalhasse para aumentar o alcance do jogo e explorasse novas mídias para expandir o universo de suas marcas. Assassin’s Creed – Renegado é o quinto lançamento de uma serie de obras literárias que acompanham a história do jogo. Desta vez, a trama se passará na guerra de independência americana. Os livros, que são um projeto 100% Ubisoft, tiveram boa aceitação pelos fãs, mas será que “Renegado” manteve o alto nível da saga?

O autor escolhido para adaptar o jogo à literatura foi Oliver Bowden, pseudônimo de Anton Gill, um famoso escritor e historiador da renascença que começou a escrever profissionalmente em 1984 e já publicou mais de 35 livros neste período. Sendo que o tema principal de sua carreira é a história europeia contemporânea.

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Em “Renegado”, livro em formato de diário, conta a historia de Haytham Kenway, da infância até a idade adulta. Um menino que começa a ser treinado pelo pai desde o dia que foi capaz de empunhar uma espada, mas depois de uma terrível tragédia, continua seu treinamento com um misterioso tutor que o transforma em uma temível arma de guerra a trabalho de uma “Ordem” secreta. Então Kenway traça seu objetivo de vida: vingança!

haytam-kenway-tumblr_mfu2vvhb5u1qdfwiso1_500É importante salientar que o livro corre paralelamente com a história do jogo “Assassin’s Creed 3”, mas, Haythan Kenway, apesar de ser importante, não é o protagonista do jogo. Somente depois de um tempo que seu destino iria se cruzar com o do personagem principal no game. Uma clara mudança de estratégia da Ubisoft quando comparamos este livro aos títulos anteriores. Vimos um exemplo de foco em personagens distintos no livro “Battlefield 3 – O Russo”. Esta estratégia deixa os fãs malucos, pois o ponto de vista de outro personagem trás um conteúdo novo para o universo do jogo.

“Sou cauteloso. Sou um exímio espadachim. E sou habilidoso no ofício de matar. Tenho uma aptidão natural para isso (…) se bem que de certa maneira reticente, não sinto qualquer prazer na minha habilidade para matar. Simplesmente sou bom nisso” (Ta de sacanagem Haytan? O cara mais parece um açougueiro!)

ACIII-Bitterend_10Haythan é o típico anti-herói, em busca do que é certo, às vezes age de maneira incorreta. Acompanhamos seu diário e percebemos que seus pensamentos divergem de suas ações, tanto é que, em muitos momentos o personagem se questiona sobre seus atos, a diferença entre o certo e o errado. Nem mesmo a crença da Ordem a qual pertence esta bem formulada dentro de sua cabeça. Por esses motivos, o protagonista torna-se imprevisível.  Bom para o leitor! Eu mesmo me peguei algumas vezes pensando: “Pra que isso Haythan? Esfria a cabeça cara, não vale a pena”.

mqdefaultQuanto à “vingança”, parece que Haythan não tem tanta pressa de busca-la não. Aliás, parece que o personagem não tem nem um pouquinho de pressa para atingir qualquer objetivo dado a ele durante todo o livro. A impressão é que ele sofre com a maldição do “vamo marca”. Vamo marca de ir atrás dos caras; Vamo marcar de procurar ela; Vamo marca de ir atrás desse lugar ai na América. Sempre a impressão de “vamo marca”.

Outro objetivo do livro era mostrar a influência de templários e assassino na Guerra de Independência dos Estados Unidos. E neste ponto, o autor deixou a desejar. Parece que Bowden ficou com preguiça de dar aquela pesquisada antes de escrever o livro, limitando-se apenas em citar que aconteceu algo em algum outro lugar, deixando Kenway longe de qualquer momento histórico. Aqui o personagem sofre do mal de “ficou sabendo”. Ficou sabendo da confusão em Boston? Ficou sabendo da batalha de Washington? Imagina na copa…
2012-11-24_000101Podemos justificar que o objetivo de Haythan era outro na América, mas, para obter sucesso em sua busca, ele forma um time, de qual ele é o líder, e bem ao seu estilo deixa os caras pesquisando e vai atrás de seus próprios interesses. Nenhum interesse de sua Ordem e nem como eles são alcançados fica claro na obra.

Mesmo assim, esse estilo “rebelde” de Kenway o transforma em um personagem interessante. O fato de seus interesses pessoais serem os seus maiores motivadores encaixa bem no perfil de anti-herói. O conflito emocional em contraste com as suas ações fazem cm que o leitor continue sempre interessado no próximo passo imprevisível do protagonista.

assassins_creed_iii_game-wideMesmo com alguns furos, eu gostei do livro! Simplesmente porque ele deve ser encarado como um complemento para o jogo. Neste caso, a trama da literatura é completamente dependente da trama do game. Por isso, deve ser lido por pessoas que já tiveram contato com o universo de Assassin’s Creed. Caso contrário, o livro deixa de explicar muitas coisas e acaba com várias pontas soltas. Fatores que são importantíssimos para o enredo principal do jogo e que aqui são deixados propositalmente de lado.

Vou admitir que o livro salvasse graças ao meu vício pelo jogo, ao excelente (e confuso) personagem  e pela boa dose de ação que encontramos no decorrer dos capítulos. O livro corre muito bem graças às diversas cenas de luta, muito bem distribuídas e fáceis de serem imaginadas, além do fato de não prender o leitor em descrições de detalhes físicos.

9788501401991.225x225-75Os livros anteriores tiveram mais sucesso na opinião dos leitores. Quem sabe por que esses faziam um “copiar e colar” na história do jogo para a literatura (até mesmo nos diálogos) e “Renegado” limitasse apenas a apresentar o ponto de vista de um personagem secundário. Muitos dizem que Haythan Kenway não se compara aos protagonistas anteriores, Altair e Ezio. Por tudo isso, recomendo o livro apenas para fãs da série Assassin’s Creed, e mesmo assim, não esperem nada de espetacular.

 

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