O filme começa e você pensa que passados os três primeiros filmes da série – que diga-se de passagem ficam até que bem amarrados quando se vê a trilogia toda – a história que criaram vai continuar, e dessa vez com embasamento: o filme faz referencia ao The Shining, clássico imperdível dos filmes de mistério, horror, terror, chame como quiser. Aí você pensa: legal, se dedicaram mais dessa vez! Se preocuparam em diferenciar o uso das câmeras  que, óbvio, permanece durante o filme inteiro, afinal ele é baseado nisso, no estilo “found footage”: ao invés de ter alguém gravando o tempo inteiro com uma câmera de mão, é a vez de uma pré-adolescente carregar um computador com uma webcam ligada o tempo inteiro e dar uma de stalker e detetive junto com seu namorado, gravando todos os passos da família.

O início é quase cômico, uma criança chamada Robbie atravessa a rua e vem parar na casa dos vizinhos da frente. Nisso eles ganham muitos pontos: mandaram absurdamente bem na escolha do pequeno rapazinho. Além de parecer uma versão de um Danny (The Shining) + The Omen, o guri desempenha o papel de criança bizarra muito bem, sem sorrir e com olhar espelhado e vazio, e que fala com o amiguinho imaginário – ainda bem que o nome não era Tony, seria pegar pesado demais no puxa-saquismo!

Mas nem se empolgue, afinal o resto do filme vai decorrer numa sequência super monótona de falta de sustos e cenas que mais parecem um web-diário de uma adolescente. Aliás, a falta de sustos talvez seja o que mais chega perto de te deixar nervoso ou na expectativa do BUU! Cenas que seriam clichês e em que você pensa “lá vem algo, vou fechar o olho” te deixam na mão, não porque o susto foi ruim, mas porque não existiu simplesmente, era uma cena qualquer e o filme continua.

Quase 60 minutos de filme e você pensa que são 120. E ainda não acabou. Ainda. Eu gostei dos 3 primeiros (ressalvando que só apos assistir a trilogia, não cada um dos filmes), mas esse foi complicado de aguentar. Quando finalmente começa alguma movimentação, o filme se perde em absurdos e ridículos rapidamente. Deixa de ser Atividade Paranormal e passa a ser uma versão de Quarentena/REC, só que sem nenhum susto nem charme-assustador que estes dois apresentam. As últimas cenas são… Bem, eu diria, vá ver pra comprovar… só que não  Não dá para pedir para alguém em sã consciência ir ver o filme e gastar tempo e dinheiro com ele. Elas são toscas e você se pergunta no final: onde foi parar toda a historia que eu vi? E isso? Sério?

E tão…. tosco que você chega a se questionar se as claras, claríssimas, referencias ao Iluminado eram de fato referencias ou apenas coincidências incríveis em um roteiro fraco daqueles. Se não fosse uma cena da porta (os corajosos que verem o filme entenderão) talvez fosse possível pensar que a cena em que vemos Robbie em um triciclo não referenciasse o Iluminado, mas somente um roteirista fã de O Fantástico Mundo de Bob que resolveu homenagear um desenho de sua infância. Esse é o nível do filme. Lamentável.

Ter visto A Entidade e Atividade Paranormal 4 me faz pensar que se filme ruim fosse vírus, com certeza agora eu estaria internada em um hospital tomando antibióticos para salvar minha vida.

PS: O que vale a pena do filme e saber o que você pode fazer com seu Kinect em casa. Fica a dica.

Por Mariana Salata – @meninasal

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