Salve salve Nerdaiada!

Como já comentamos aqui na última semana, o Dia das Bruxas (Halloween) está batendo em nossas portas, pedindo doces e assustando os desavisados e por isso, estamos preparando uma bela cesta de doces para vocês, refugiados.

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Dia 31 de outubro… Dia das Bruxas…Todos nós sabemos algo sobre essa data. Pessoas ventem-se de personagens que povoam histórias de horror; Crianças, também fantasiadas, carregam cestinhas e batem de porta em porta, cantando a frase Doces ou travessuras… Essa “festa” é típica de países anglo-saxônicos, como a Irlanda e a Escócia, e foi levada por imigrantes até os Estados Unidos (que o lugar que mais representa essa data atualmente, na minha opinião). Mas você sabe como começou essa farra toda?

Como me auto-proclamei como “General das Mitologias”, quero aproveitar para contar umas histórias para vocês. Então apague a luz, pegue sua lanterna, puxe seu cobertor e vamos lá!

Halloween é um evento cultural que tem suas raízes em tradições de religiões consideradas pagãs (Ou seja, tudo que não é católico – palavras da igreja, não minhas -). Hoje, é uma data celebrada em vários países, como Estados Unidos, Canadá, Irlanda, Reino Unido, Argentina e até aqui no Brasil, mas o país ou região de origem dessa celebração é incerta. Dados históricos sempre convergem essa data para os povos antigos da Irlanda e também a cultura celta (pagã) e por isso, eu sigo essa linha com verdade.

A palavra Halloween tem sua origem na igreja católica (Tá vendo?!) e e deriva da data de 1 de novembro, o Dia de Todos os Santos, que é o dia em que os católicos honram seus santos (Duh!). Essa festa possui vários outros nomes: Samhain (fim de verão), Samhein, La Samon, ou ainda, Festa do Sol (Tuuuudo a ver, né?!).

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Especulações a parte, o mais aceito (dentro do que consegui cavoucar) é que a palavra Halloween surgiu de uma versão encurtada de “All Hallows’ Even” (Noite de Todos os Santos). A palavra “hallow” vem do inglês antigo e significa “pessoa santa”. Com o tempo, as pessoas passaram a se referir à Noite de Todos os Santos como “Hallowe’en”, que acabou virando “Halloween”.

“Blah! Blah! Blah! Blah! Blaaaah! Isso vocês já falaram no ano passado, Bunker´s!”. Verdade! Maaaaas, agora vem a parte boa! ^__^

Qual a relação com monstros e fantasmas?
Uma lenda celta (Olha aí o povo pagão de novo!) fala que espíritos daqueles que faleceram ao longo do ano, voltariam à procura de corpos vivos. Isso porque poderiam possuir esses corpos para poder ficar no mundo dos vivos por mais um ano. Para os povos celtas, essa era única maneira de enganar a morte ou de ter algo próximo à vida após a morte. Dentro dessa mitologia, acreditava-se em todas as leis de espaço e tempo, e por isso eles acreditavam na possibilidade do mundo espiritual se misturar com o dos vivos.

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Como ninguém queria ser possuído (Convenhamos que, pelo que já vimos em vááários filmes, não deve ser uma parada muito legal…), na noite do dia 31 de outubro, tochas e fogueiras eram apagadas para que as casas se tornassem frias e desagradáveis e as pessoas também vestiam fantasias e desfilavam em torno dos bairros ou cidadelas, da forma mais tosca possível (Como zumbis, saca?). Tudo isso para tentar assustar os espíritos que procuravam corpos para possuir. Tentar né?! Porque como se assusta o susto?!.

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Em 1840, imigrantes irlandeses que fugiam da fome que se alastrava em seu país, chegaram aos EUA e trouxeram o Halloween com eles. Muitos outros feriados e datas que hoje comemoramos comumente, têm origens em mitos e lendas pagãs, que misturaram-se aos costumes católicos depois das incursões romanas (isso também aconteceu com lendas nórdicas, como as histórias de Thor e Odin, por exemplo). Bizarro né?!

E as abóboras sinistras?Traditional_Irish_halloween
Outra coisa que sempre vemos em tudo que é lugar, agora no mês de outubro, são abóboras! Feitas de plástico, papel e até mesmo de abóboras reais (Nooooossa heim?!), esses legumes redondinhos e medonhos sempre marcam presença no Halloween (principalmente em escolas de inglês…). Assim como a origem do feriado, o costume de customizar abóboras para que ficassem bizarras tinha o mesmo objetivo do que descrevi antes: afugentar espíritos maus. Algumas pessoas achavam que a vela dentro de um nabo (Isso mesmo! Um nabo!) representava uma alma presa no purgatório. Disso veio à ideia de acender velas dentro de nabos, que eram esculpidos, para ajudar a afastar os espíritos maus. A substituição por abóboras aconteceu quando os imigrantes irlandeses chegaram aos EUA e se depararam com o legume. A abóbora era comum no território norte-americano e talvez também seja mais fácil de cultivar e esculpir do que um nabo, sei lá… Eu fiz uma dessas uma vez e foi mole-mole.

Agoooora… Eu cheguei num ponto interessante! Cabeças de abóboras… Tem algumas histórias sinistras envolta disso aí, não tem?! Vocês acham que eu ia gastar o tempo de vocês nesse lero-lero sem contar nenhuma história de terror? NUNCA! Afinal de contas, nosso objetivo desse mês é deixar nosso bunker mais sinistro! Então vamos falar de um carinha que já deixou (e se bobear ainda deixa) muito marmanjo com medo de sair de casa. Jack Lanterna!

Não, refugiados! Não tô falando de mais um membro da Tropa dos Laternas (Apesar da Marvel ter se inspirado nessa lenda para criar o Mad Jack, que virou O Mistério e O Hobgoblin, vilões do Homem Aranha, mas essa é uma outra história!)… Tô falando desse carinha aqui!

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Jack Lanterna
A lenda conta a história de um homem mesquinho, chamado Jack. Ele era um homem que desdenhava os valores da família e sempre tentava levar vantagem em tudo e sobre todos. Uma noite, quando estava enchendo a cara em uma taverna, Jack se deparou com um homem que dizia ser o demônio e este, queria levar a alma de Jack, dizendo que havia chegado sua hora. Jack se faz de triste e pede um último gole antes de partir, mas pede esse favor ao demônio porque não tinha mais nenhuma moeda (um bêbado clássico). O demônio concede a Jack seu último desejo e transforma-se em uma moeda para que pague seu último gole. Jack rapidamente pega a moeda-demônio e guarda em seu bolso, onde também guardava um crucifixo de prata, que impedia que o demônio retornasse a sua forma original. Puto-da-vida Desesperado, o demônio clama para sair do bolso de Jack, que permite, desde que o Diabo lhe de mais um ano na terra. Muito puto-da-vida Sem alternativas, o demônio concorda. Um ano depois, Jack caminhava (bêbado) em um bosque, quando o demônio reaparece dizendo que ele não teria como evitá-lo dessa vez. Jack concorda, triste (bêbado), mas antes pede que o demônio alcance um fruto, no alto de uma árvore, para que possa pelo menos ter uma última refeição antes de partir para sempre para o inferno (Bêbado folgado!). Não enxergando dificuldade ou truque, o demônio saltou rapidamente de galho em galho e quando estava quase alcançando o tal fruto, o filho da puta Jack corre para o tronco da árvore e escava uma cruz com seu canivete, impedindo que o demônio descesse. Provando mais uma vez ser mais esperto que o diabo, Jack ordena (falei que era folgado) que o demônio nunca mais o procure. Muuuuito puto-da-vida, o demônio concorda e desaparece no ar. Para o azar de Jack, ele morre pouco tempo depois desse último encontro maldito (provavelmente de cirrose porque o cara bebia toda hora). Banido do paraíso por ser um homem ruim e mesquinho, Jack chega ao inferno, onde o demônio, duplamente surpreso, expulsa Jack, dizendo que ele não o humilharia novamente. Condenando a vagar eternamente pelo limbo sem nunca ter paz, Jack se vê pela primeira vez implorando por algo na vida (ou melhor, morte) e o diabo, para livrar-se daquele “encosto”, joga uma brasa infernal em suas mãos. Já vagando pelo limbo, Jack decide procurar uma forma de levar a brasa infernal para que não queimasse suas mãos porque a brasa nunca se apagava. Usando um nabo cavoucado, Jack passou a vagar pela escuridão do limbo, usando sua tosca lanterna para tentar encontrar o caminho da saída. Com isso, o espírito vagante de Jack Mesquinho, passou a ser chamado de Jack O´Lantern.

Na Irlanda e na Escócia, as pessoas começaram a fazer suas próprias versões de Lanternas de Jack, esculpindo rostos assustadores em nabos e batatas para afugentar Jack Miserável e outros espíritos errantes. Na Inglaterra, o pessoal preferia usar umas beterrabas gigantes.

Com o tempo, a ficção e o cinema, mudaram o “desenho” do Jack Lanterna. A historinha “assusta-criança” que eu conheço e que já obtive confirmação de colegas que moraram nos EUA, é a de que o Jack Lanterna sempre volta no Dia das Bruxas e fica perambulando pelas ruas, procurando pessoas (Leiam, crianças!) para levar para o limbo para fazer companhia a ele. Outra variação, também megaconhecida, é figura do Cavaleiro Sem-cabeça. Acho que hoje essas duas figuras “simpáticas” se misturaram, algumas vezes sendo representadas num belo mix, como na imagem que coloquei antes. ^^

Halloween background por Kesu(2)

Se preferir criar um trauma na criança mais próxima a você, pode falar que o Jack Laterna perdeu a cabeça e que em toda noite de Halloween, ele vem pagar pegar a cabeça de crianças desobediente que ficam na rua depois do horário… 100% garantido que vai funcionar!

SESSÃO CURIOSIDADES
(QUE PODEM NÃO SERVIR PRA NADA, MAS SEMPRE IMPRESSIONAM NUM BAR)

Outros nomes ao redor do mundo:
América do Norte  Dia dos Mortos
América do Sul  Kawsasqanchis
Europa  Dia dos Mortos e variações do Halloween
África  Dança dos Egunguns
Ásia  Festival Obon

  • Os doces: Os antigos celtas tentavam acalmar os espíritos maus com doces. Depois a igreja (que aproveita aquilo que lhe é conveniente) incentivou seus congregados a irem de casa em casa na véspera do Dia de Todos os Santos a pedir alimentos em troca de uma oração pelos mortos. Esse costume passou a ser conhecido como “doces ou travessuras”.
  • As fantasias: Os celtas usavam máscaras assustadoras para que os espíritos maus os confundissem com outros espíritos e assim, ficassem em segurança. A igreja (de novo) aos poucos foi misturando esses costumes pagãos com as comemorações do Dia de Finados e do Dia de Todos os Santos. Isso mais tarde evoluiu para pessoas fantasiadas de santos, anjos e demônios.

SESSÃO PIPOCA
(O SANGUE É OPCIONAL)

Jack OFilme trash (assista sobre seu próprio risco XD)
Jack-O – O Demônio do Halloween / Halloween – A Maldição Está de Volta!
Título Original: Jack-O
País de Origem: EUA
Gênero: Terror
Tempo de Duração: 88 min
Ano: 1995
Direção: Steve Latshaw

 

A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABECAFilme bom (Eu acho!)
A lenda do cavaleiro sem cabeça
Título Original: Sleepy Hollow
País de Origem: EUA
Gênero: Suspense/Terror
Duração: 105 min
Ano: 1999
Direção: Tim Burton

 

nightmare before christmas coverAnimação (Disney gente!)
The Nightmare Before Christmas
País de Origem: EUA
Gênero: Animação/Suspense
Duração: 76 min
Ano: 1993
Direção: Tim Burton e Henry Selick

 

A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABECA(disney)

Animação (Também da Disney!)
A lenda do cavaleiro sem cabeça (As aventuras de Ichabod Crane)
Título Original: The Legend of Sleepy Hollow
País de Origem: EUA
Gênero: Animação/Suspense
Duração: 32 min

 

 

Pra me despedir, uma musiquinha pra grudar na mente de todos vocês nessa sexta-feira!

Doces ou travessuras, nerds?!

Daniel Keller – não tem medo de fantasmas e já fez uma abóbora IRADA na escola!

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About The Author

Daniel Keller

"Far over the misty mountains cold, to dungeons deep and caverns old. We must away ere break of day, to seek the pale enchanted gold…" Sobrevivente e acumulador de histórias, desbrava o mundo através da imaginação e da criatividade. Designer por escolha e redator por sorte do destino, busca a vida perfeita. Longa vida à Nação Nerd!

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