Lançado dia 23 de março de 2014 pela desenvolvedora Sucker Punch, e exclusivo para o PlayStation 4, inFamous Second Son se passa sete anos depois dos eventos de inFamous 2, quando Cole MacGrath, protagonista dos dois primeiros games da série, sacrificou-se para salvar o mundo, livrando a Terra de uma praga mortal ao preço de acabar com quase todos os Condutores existentes. Aparentemente o seu sacrifício não foi o suficiente para impedir que os Condutores restantes se tornassem temidos pelos humanos. Com isso, temos a criação de uma polícia especializada em capturar os poucos sobreviventes dessa raça, trancafiando-os para sempre, se eles tiverem sorte.
inFamous Second Son é o cartão de visitas da Sony para a nova geração, por mais que o game não tenha saído junto com o console. Apesar de bons títulos como Killzone: Shadow Fall, Knack e Resogun, é inFamous que mostra do que o PlayStation 4 é capaz. A beleza dos cenários e dos poderes do protagonista é extremamente bonito de se ver. Minutos após o impacto inicial, a Sucker Punch mostra uma aventura repleta de missões e combates, um tanto repetitivos. Apesar disso, as mecânicas da série evoluem a ponto de superar a campanha. Não demora muito para perceber que é mais divertido explorar o mapa e as missões secundárias a seguir a história.–Como é de se esperar em qualquer jogo de mundo aberto.– infamous second son

Uma Nova História

Delsin Rowe é o protagonista de inFamous, que descobre ter o poder de absorver as habilidades de outros Condutores. Ele consegue absorver vários tipos de energia condutora como fumaça, neon e vídeo, por exemplo. Depois de um entrave com a D.U.P., os inimigos da trama, ele parte em uma missão para salvar parte de sua comunidade, que está entre a vida e a morte devido a Augustine, a condutora líder da D.U.P.. –Nunca odiei tanto um inimigo quanto eu odeio essa Augustine !!!– Com um começo desses a história é um dos pontos mais fortes do jogo, certo ? Infelizmente não, este se mostra um dos poucos aspectos em que inFamous Second Son peca. Delsin basicamente segue na aventura com um mesmo objetivo do início ao fim, sem grandes surpresas, desvios ou desenvolvimentos além de encontrar um eventual novo personagem. Isso certamente seria um problema dos grandes se não fosse o enorme carisma dos personagens apresentados no jogo. Delsin, por exemplo, se mostra claramente assustado com seus poderes e pelo fato de ter se tornado um “bioterrorista” (é como a D.U.P. chama os Condutores, para que a população tenha medo deles), mas não demora muito para que ele acabe mudando de ideia sobre isso. O mesmo nível de carisma se aplica a todos os outros personagens. Augustine, nossa vilã do game, se mostra alguém que você provavelmente vai odiar tão rápido quanto possível. –A Sucker Punch fez um ótimo traalho nesse aspecto. Você com certeza vai começar a odiar a Augustine já na primeira cena com ela.– Reggie Rowe, o irmão de Delsin, o ajuda por toda a aventura, mas não sem deixar bem claro que o faz muito a contragosto. Até mesmo uma simples telefonista, com quem nosso herói conversa brevemente ao realizar certas missões, gera alguns dos momentos mais divertidos do game. infamous second son A narrativa segue com a conhecida jornada do herói, mas se diferencia na forma como trata a discriminação. E aí não estão somente os Condutores, mas nerds, dependentes químicos e índios. Todos esses estereótipos passam pela história do protagonista sem tomar a cena, mas sempre com uma mensagem sutil sobre preconceito. Os diálogos de Delsin com o irmão Reggie, por exemplo, são a representação de situações atuais, com a diferença do contexto inserido.
“Nós vamos te consertar, Delsin. Isso não é normal, vamos achar uma cura”, diz Reggie em certo momento. “Só porque não é normal não quer dizer que preciso de uma cura”, rebate Delsin, para segundos depois soltar uma piada. Em momentos como esse, inFamous demonstra que não se leva muito a sério, mas não ignora os conflitos de sua história. Então fique preparado para uma trama cujo ponto alto não está no mistério sobre os Condutores sobreviventes, nem no desenvolvimento dos protagonistas, mas simplesmente na maneira como esses diferentes personagens interagem. O resultado é interessante, mas ainda poderia ser um pouco melhor. infamous second son

Unlimited Power

Controlar Delsin parece estranho de início. Ainda sem poderes, o sujeito pula de alturas consideráveis, pratica um parkour impecável e é de uma leveza difícil de compreender.–E que irrita quando se está tentando evitar ser alvejado por tiros.– Esses questionamentos somem ao chegar em Seattle, onde os poderes aparecem. Voar, escalar e enfrentar inimigos aleatórios é outro trunfo de Second Son. A falta de peso de Delsin facilita a exploração de todos os bairros da cidade e melhora as mecânicas de combate, que variam entre o stealth e o corpo-a-corpo. A série inFamous sempre foi focada em trazer liberdade, seja de escalar arranha-céus rapidamente a pular de prédios sem sofrer um arranhão e ter uma quantidade enorme de poderes para utilizar na hora de acabar com seus inimigos, tudo é feito para que você se sinta como um herói/vilão dos quadrinhos. Ainda que existam essas opções de abordagem nas lutas, o jogo repete quase todos os tipos de confronto. Por mais divertido que seja controlar Delsin, depois de enfrentar os mesmos soldados e chefes, essa parcela do game torna-se preguiçosa. Os inimigos finais variam pela força e pouco mais que isso. As estratégias são simplórias e acrescentam pouco à aventura. A quantidade de habilidades que você possui, no entanto, aumenta absurdamente com o desenroar de sua aventura, que mudam consideravelmente a forma como você deve enfrentar os inimigos ou avançar pelos cenários. Enquanto seu poder de fumaça se aproveita de golpes de alto dano e grande área de impacto, por exemplo, o poder de Neon dá a Delsin disparos precisos, capazes de nocautear um inimigo com um único tiro bem dado, além de uma velocidade de deslocamento enorme. Qual deles utilizar é uma simples questão de gosto. Infelizmente seu personagem só pode usar um tipo de poder por vez, precisando absorver a energia de uma nova fonte para alternar entre eles. Além disso, novos inimigos, com poderes ainda mais difíceis de combater, estão constantemente aparecendo para tornar sua vida um pouco mais complicada. Vale elogiar também o uso que a Sucker Punch deu ao touchpad. Por mais que seja um gimmick simples, fazer um rápido deslizar de dedos para abrir uma porta ou pressionar a superfície para drenar energia do cenário funciona muito melhor do que apertar apenas um botão. infamous second son

Karma

O game traz um sistema de karma, como já é tradição da série, e em inFamous Second Son isso não seria diferente. Escolher entre atos altruístas e egoístas muda consideravelmente a maneira como suas habilidades evoluem, fazendo com que seus golpes fiquem ainda mais destrutivos ou facilitem seu trabalho na hora de neutralizar adversários. Quem já gostava do sistema de karma anterior não vai notar mudanças muito significativas. Talvez a maior diferença seja que agora seus poderes constantemente deixam os inimigos abertos a uma “finalização”, que com um pressionar de um botão, você imobiliza o alvo ou com o apertar de outro, Delsin dá um fim à vida do adversário. Se por um lado a mecânica de karma mudou para melhor durante a maior parte do game, infelizmente temos uma quantidade muito menor de escolhas durante as cenas de corte. Para piorar, suas decisões em sua grande maioria não fazem muita diferença no que acontece no jogo, no máximo você tem algumas falas diferentes. infamous second son

Vale a Pena ?

Second Son abre a geração para a Sony. Os gráficos cumprem a tarefa de impressionar e a história melhora a qualidade da série. E apesar das falhas no sistema de missões e combate, o jogo consegue entreter sem cansar ou tratar o jogador de forma displicente. Não apenas isso, o game faz você se sentir um verdadeiro super-herói ou supervilão, capaz de mudar o destino do mundo.

O BunkerNerd concede a inFamous Second Son:

4 Estrelas

infamous second son

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ArthurAques

Nerd desde criança e gamer desde sempre. Por mais agitado que o dia possa ser, sempre acha uma brecha para se atualizar com as novidades sobre jogos, filmes, séries e quadrinhos. Criado desde pequeno pelo seu pai para ser um fã incondicional de AC/DC, fica feliz quando seus vizinhos curtem música boa, querendo eles ou não.

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