E se ao invés de ser um vampiro, Drácula fosse um psicopata? Caso o leitor esteja cansado de vampiros, Roderick Anscombe e a editora Jardim dos Livros tem uma boa alternativa para você.  Neste livro, o mítico conde da Transilvânia, é colocado em um plano mais real e transformado em um assassino compulsivo com desejo por sangue. Acompanhamos a construção emocional do personagem e os diversos fatores que o levaram a criar uma lenda.

O jovem húngaro Laszlo Dracula, estudante de medicina, viaja para Paris no ano de 1866 em busca de estudar os mistérios da mente humana e trabalhar em um hospital para pacientes com distúrbios mentais. Após engatar um romance com uma jovem, dá vazão aos sentimentos antes desconhecidos que desencadeiam o lado negro dentro de si mesmo.

A partir de então, começa o combate emocional dentro da própria mente para manter a fera enjaulada. Porém, outras vítimas potenciais cruzam o seu caminho e fica cada vez mais difícil controlar o desejo por sangue e possessão.

O livro é escrito em formato de diário que serve como desabafo para o assassino, dando muita atenção ao lado emocional do protagonista e como ele interpreta as pessoas e acontecimentos ao seu redor. O conflito interno para controlar seus impulsos o transforma em um personagem muito complexo. É impossível prever as atitudes do conde e as consequências dos seus atos, o que o autor arquiteta com maestria.

A premissa de transformar Drácula em um psicopata foi oque me atraiu para esta obra. Porém, a história só começa a ficar dinâmica depois da metade do livro. No início, o autor se preocupa muito com a construção dos personagens, o que dá contexto à trama, mas gera momentos maçantes e nos arrasta, ate que a série de assassinatos comece e os capítulos fiquem viciantes e frenéticos.

O autor do livro, Roderick Anscombe, é medico psiquiatra forense e trabalha em uma prisão de segurança máxima. Acostumado a lidar com assassinos em série e psicopatas no dia a dia, usa toda esta experiência para construir a consciência dos seus personagens, o que faz com que Dracula seja fascinante pelos toques de verossimilhança da sua psique.

Existem pequenos deslizes de edição, deixando alguns diálogos um pouco confusos (principalmente os que possuem mais de três personagens). É preciso ler com atenção para não perder as trocas de contexto que ocorrem de um parágrafo para outro repentinamente.

Ninguém morre gratuitamente. O protagonista justifica os assassinatos segundo o seu estado de espirito. É difícil prever quando e como acontecerá a próxima morte, quem é vitima e quem sobreviverá ate o final da obra.

Depois que a ação de fato começa, é difícil largar o livro. O final é incomum e bem armado durante toda a trama, deixando o leitor com gosto de quero mais.  Para fãs de suspenses psicológicos e assassinos em série (se alguém está pensando em Dexter, também vale), o livro é uma boa pedida.

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