Quando me deparei pela primeira vez com o livro “O Rebelde”, da editora Fantasy, fiquei super empolgado, pois a descrição do livro deixa qualquer um louco para viajar pelas páginas deste romance histórico. O autor escocês, Jack Whyte, tomou como base as histórias contadas sobre Willian Wallace, o herói escocês que se voltou contra a opressão inglesa em seu país, inserindo-o no contexto político da época e nos apresentando um rebelde sedento por vingança mais próximo da realidade do que das lendas.

“Para mim é doloroso ouvir as pessoas dizerem que Willian Wallace morreu um rebelde, um patriota com um grito de liberdade nos lábios, porque isso é mentira.”

No início do livro já nos deparamos com Will, um fora da lei a poucas horas da sua execução. Antes disso, ele conversa com seu primo e melhor amigo, o padre James, para uma última confissão. A partir daí, James começa a narrar a história do rebelde Wallace desde o momento em que sua família é assassinada, até se tornar uma peça importante dentro da política da Escócia.  É aí então que conhecemos um personagem muito diferente do que estamos acostumados. Ele é um homem inteligente, fluente em latim e inglês além do escocês, educado em uma escola de padres, carismático e um arqueiro talentosíssimo.  Todos estes fatores somados ao ódio pela opressão inglesa em seu país e mais seus valores de honra, o tornam aos pouco um líder entre o povo que sofre com a política dos nobres.

“Mostre-me um líder que mereça ser seguido e uma guerra pela qual valha a pena morrer e eu lutarei, isso eu juro.”

Mas mesmo com essa narrativa promissora, o livro foi uma decepção. Estava procurando por batalhas épicas, ação e uma leitura dinâmica, algo bem próximo do que encontrei em “Crônicas de Arthur” por Bernard Cornwell. Mas o estilo de narração da história, feito em terceira pessoa pelo padre James, acabou cortando minha euforia.

A escolha de um clérigo como narrador é uma boa justificativa para entrar no jogo político da época. O problema é que a politica se resumia aos interesses mascarados da igreja e mesquinharias entre nobres. Encontramos muita política, mas toda ela se resume aos caprichos e vaidades de condes, barões nobres desunidos que estão interessados somente em si próprios e não se unem perante a opressão inglesa. Isso torna o livro chato e muitas vezes me peguei arrastando a leitura pelas páginas.

**Momento contextualização histórica** Desinteressados, pulem de parágrafo.

Em compensação, o cenário econômico-cultural é apresentado com maestria pelo autor. Era uma época em que a burguesia enriquecia cada vez mais através do comercio, por outro lado, a nobreza decadente, ficava cada vez mais dependente e endividada com os burgos. O rei francês, Felipe (1295), decide aumentar os impostos e em contrapartida, nomear burgueses para cargos políticos. Foi nesta época que a classe dos plebeus começou a ganhar força política. Assim como a população mais humilde, os plebeus não-burgueses, que vão para a floresta e formam uma sociedade organizada para não sofrer as consequências da política nobre. Por isso que Willian Wallace é tão importante. Ele é visto informalmente pelo povo como representante de suas vozes.

** Fim do Momento contextualização histórica**

Um ponto positivo é o toque de realidade dado à estratégia de guerra. Os escoceses sabem que são superados em quantidade, equipamento e experiência pelo exercito inglês. Por isso, lutar usando apenas a tradicional paixão do coração valente não é o suficiente. Mas o primeiro livro inteiro está focado na vida de Wallace e nenhuma grande batalha acontece.

Acredito que além disso, o principal problema do livro é mesmo a narração. Não consegui criar empatia com padre James. Muita política e poucos diálogos deixam a leitura densa e monótona. Se por um lado, o estilo de narração em terceira pessoa acelera os acontecimentos dando ênfase à política, o livro perde o dinamismo dos combates em contrapartida. É só então a partir da metade do livro as coisas melhoram um pouco. Acontecem mais cenas de ação, contudo elas são narradas da maneira menos empolgante possível.

Os próximos dois livros da trilogia contarão, respectivamente, as vidas de Robert Bruce, rei dos escoceses e o verdadeiro coração valente, e James Douglas, outro herói nacional que também é o homem que carregou o coração de Bruce dentro de um recipiente de chumbo até a Terra Santa.  Assim será contada a história de homens que lutaram até a morte para recuperar o orgulho do povo escocês. Uma história cheia de política, honra e sangue, mas que se continuar a ser contada pelo querido padre James, eu não irei mais acompanhar.

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