Sempre tive uma imagem negativa sobre livros baseados em jogos eletrônicos, ficava com aquele estereótipo de que o livro teria tiroteio e ação demais e a história ficaria em segundo plano. A obra de Andy Mcnab e Peter Grimsdale, pela editora Galera Record, veio para acabar com este preconceito.

O ex-militar Mcnab é quem dá crédito a obra. Entrou jovem no exército americano, tornou-se membro da SAS (Special Air Service), participou de diversas missões secretas em todo o mundo. Usou todo conhecimento para consultoria de filmes e a literatura de obras próprias, algumas se tornando best-sellers.

No mundo dos games, o autor fez com que em “Battlefield 3”, as cenas de tiro se conectassem e desse sentido à história do jogo. Além disso, contribuiu também para que o comportamento, movimentação e vocabulário dos soldados tivessem veracidade durante a ação.

Ao ler o livro “O Russo”, é facilmente perceptível o cuidado empregado com os detalhes que trazem o toque de realidade à história. Mcnab usa artifícios como procedimentos e nomenclatura de equipamentos usados em combates para fazer o leitor se sentir realmente dentro de um cenário de guerra.

Durante o livro, acompanhamos duas histórias paralelas: uma do ex-agente da Spetsnaz (Serviço secreto russo), Dima Mayaskovsky e outra do sargento americano Blackburn, que se encontram em certo ponto do livro. Aos poucos, cada um vai descobrindo informações de um plano terrorista em andamento.

Para não limitar o livro a história contada no jogo e fugir dos longos tiroteios, a saída dos autores foi dar mais ênfase ao agente russo – ao contrário do que acontece no jogo – como outro ponto de vista que adiciona mais complexidade à história do livro e do game.

Os capítulos são bem curtos, o que permite que o leitor caminhe por vários pontos da história de maneira bem dinâmica. Não há muita ênfase nos detalhes físicos, deixando mais espaço para a ação e descrição dos personagens. Estes são fatores que deixam a obra com um ritmo muito rápido e igualmente empolgante. Vários pontos de clímax, ação e alguns plot twists, compõem um bom roteiro que provoca o sentimento de “só mais um capítulo…” no leitor. Contudo, pessoalmente senti falta de um final um pouco mais criativo. Mesmo assim, passa a impressão de ser um BOM filme de ação em formato literário.

A construção dos protagonistas também é interessante, as motivações e o passado foram bem trabalhados na escrita em terceira pessoa. Apenas uma ressalva: como um bom roteiro americano, os diálogos estão repletos de frases de efeito e clichês, bem hollywoodianos.

O livro e o jogo são independes e ao mesmo tempo se completam. Para jogadores de Battlefield, esta é uma oportunidade quase única de conhecer o outro lado da história. Aos leitores é uma chance de vivenciar a história, o que faz desta obra, uma ótima opção de leitura.

 

Condecorações: 4.2

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