Com a morte total do universo Marvel e o início das Guerras Secretas nos EUA, resolvi reler todas as 700 edições de Amazing Spider-Man, a mais famosa e principal revista do cabeça de teia ao longo dos anos. Junto com diversos títulos diferentes, elas construíram a mitologia de um dos maiores heróis dos quadrinhos e provavelmente um dos mais famosos personagens da ficção.

Por conta disso, resolvi escolher dez momentos que me marcaram ao longo dos mais de 50 anos de carreira do Aranha. São tantos que escolher apenas dez é bem difícil. Foram momentos tristes, felizes e épicos, mostrando que mesmo depois de 50 anos, ainda amamos Peter Parker e sua falta de sorte.

10. Leah…
Se existe uma história onde uma imagem vale mais do que mil palavras, seria está aqui. Leah so apareceu uma única vez e nunca mais voltou, mas seu impacto foi tão grande que mereceu um lugar nesta lista.

Palavras são ditas apenas no final da curta história (não mais do que algumas páginas), mas não foram completamente necessárias. Assim como o momento em terceiro lugar, uma única história me levou às lágrimas em um dos momentos mais tristes das histórias em quadrinhos. Assistam a um vídeo com as imagens e mantenha lenços por perto, pois se você não chorar, você não tem alma!

9. Aranha Vingador
Algo que sempre me incomodou nas histórias mais antigas era o fato de que os Vingadores eram os maiores heróis da Terra, enquanto que o maior herói da Terra quase nunca estava entre eles. O Homem-Aranha quase nunca interagia com a equipe e só chegou a ser um membro reserva da famosa equipe. Então veio Brian Michael Bendis.

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O título New Avengers de Bendis, marca o retorno da equipe após a Feiticeira Escarlate praticamente destruí-la. Os personagens ficaram mais humanos e esse arco mostra a trupe em situações comuns e com problemas familiares, como almoços, por exemplo. O título foi um dos meus preferidos por anos e a razão de Luke Cage ser um dos maiores personagens da editora.

Essa edição também fez algo maravilhoso: colocou o Aranha na frente de batalha dos maiores heróis de forma permanente, não como um simples reserva. Isso permitiu que os roteiristas usassem os vilões do personagem (como Norman Osborn) como inimigos da equipe e também mostrou que ele pode se equiparar a Thor e Hulk.

Com o novo filme prestes a sair (e com rumores de que será chamado de Spider-Man: New Avenger), e também por sua participação em Capitão América: Guerra Civil, a ansiedade é enorme!

8. Jean DeWolff
Jean DeWolff começou como uma policial não tão amigável quanto ao nosso lançador de teias predileto, porém, com o tempo se tornou uma grande aliada do Aranha dentro da polícia. Policiais em geral não gostam muito do herói por conta de suas ações como vigilante, mas Jean torna isso diferente.

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Tudo isso se torna ainda mais chocante quando uma história começa com Jean assassinada e o Aranha passa a caçar o culpado. Quando um amigo de Matt Murdock, o Demolidor, é morto pela mesma pessoa, ambos passam a perseguir o criminoso. Porém, ambos possuem divergências quanto aos métodos de perseguir o criminoso.

Peter chega perto de fazer uma escolha tão ruim quanto a que ceifou a vida de seu Tio Ben, mas ele passa por cima disso. Tudo termina com o assassino preso e a justiça servida, bem como uma relação de amizade entre os dois heróis.

O que deixa a história ainda mais triste é que Jean tinha um grande potencial e sua morte marcou muitos fãs na época de sua publicação. Até hoje, Peter se lembra da mulher que foi uma grande aliada e amiga, e que foi tirada dele de forma brutal e sem sentido.

7. Morte de um herói
Em 2000 foi lançado o universo Ultimate, trazido para o Brasil nas páginas de Marvel Millenium Homem-Aranha. Uma renovação das origens e ideias por trás dos personagens da editora, trouxe coisa marcantes como um Nick Fury inspirado em Samuel L.Jackson (existe até mesmo a piada sobre o ator interpretar Fury em um filme durante uma edição de Os Supremos). Com tudo isso, é claro que o nosso amigão da vizinhança não poderia faltar.

Ver novamente um Peter Parker adolescente e de forma atualizada foi revigorante! Brian Michael Bendis escreveu o roteiro das edições e Mark Bagley foi o desenhista inicial, mas após 150 edições, tudo mudou quando o Duende atacou.

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Em um arco intitulado “A Morte do Homem-Aranha”, Bendis mostra o fim derradeiro do jovem herói nas mãos de seu maior inimigo, Norman Osborn. Tendo recebido um tiro ao salvar o Capitão América de uma bala atirada pelo Justiceiro, Peter já estava enfraquecido quando Osborn e diversos outros vilões atacam a casa onde ele morava com Tia May, Gwen Stacy, Johhny Blaze (Tocha Humana) e Bobby Drake (Homem de Gelo). Mesmo com a ajuda de seus companheiros com super poderes, no fim Peter sucumbe aos ferimentos e morre nos braços de Mary Jane Watson, seu grande amor. As últimas palavras ditas por ele são de cortar o coração e, junto com seu funeral, o fim de um querido personagem. Logo em seguida, Miles Morales, um personagem negro com descendência hispânica, substituiu Peter como o Homem-Aranha do universo Ultimate.

Se vocês souberem inglês bem, existe uma maravilhosa Motion Comic sobre a morte do herói! Clique aqui para conferir.

6. O fim da Era de Prata
A história de sempre: vilão captura a mocinha / herói enfrenta e derrota o vilão / herói salva sua donzela em perigo / e então vivem felizes para sempre. Porém em julho de 1973, isso deixou de ser completamente verdade.

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Gwen Stacy começou não gostando muito do nosso querido Peter Parker, mas com o tempo os dois se apaixonaram e o pai dela, o capitão da polícia George Stacy, acabou se tornando uma figura paterna para o jovem Peter. Porém, pouco tempo antes dessa data, George foi morto pelo Doutor Octopus, causando um grande trauma emocional para o Aranha. E isso era só um aperitivo perto do que estava por vir.

Gerry Conway tinha apenas 19 anos de idade quando escreveu esta edição que chocou o mundo. Nunca antes uma personagem tão importante quando a namorada do personagem principal havia sido morta e isso fez com que esta edição fosse marcante por vários motivos. Não só Gwem morre após ser jogada do alto da ponto da ponte do Brooklyn, mas também é insinuado que a culpa de sua morte é do próprio Aranha, devido a um pequeno som de “snap” perto de seu pescoço quando o Aranha para a sua queda com teia. Isso tornou sua morte ainda mais trágica.

Muitos consideram este o fim da Era de Prata, uma época mais inocente e infantil para os quadrinhos, e o começo da Era de Bronze, com histórias mais maduras e com temas mais violentos (como o Demolidor de Frank Miller). Até hoje, a morte de Gwen causa repercussões na vida do herói e ela é sempre lembrada com carinho pelos fãs.

5. Complexo de Superioridade
Vou ser sincero: quando a ideia de que o Doutor Octopus tomou conta do corpo do Homem-Aranha e que Peter Parker morreu no lugar do vilão apareceu pela primeira vez, eu não gostei tanto. Depois de 50 anos, de repente, de uma forma bizarra e estúpida, meu herói preferido já não era mais o mesmo. Isso realmente for algo horrível para minha criança interior.

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Até que Dan Slott começou o título “Superior Spider-Man” e eu pude ler as histórias mostrando um Aranha mais lógico e tático (assim como mais brutal). Cenas como Otto matando o Massacre na quinta edição e a queda do Rei do Crime são memoráveis para mim (e Anna Maria Marconi foi uma das melhores personagens que foram criadas pela Marvel nos últimos anos).

Mas o momento que tocou nos feelings mesmo foi quando Octavius percebe que Peter é o verdadeiro Homem-Aranha Superior e, em um gesto de altruísmo apaga, completamente sua mente do corpo de Peter Parker. Depois de dois anos vendo Otto tentando ser um verdadeiro herói, doeu o ver morrendo, mesmo que Peter tenha voltado.

4. O fim de uma amizade
Quem assistiu ambas as tentativas de fazer um filme do Homem-Aranha nos cinemas deve conhecer o melhor amigo de Peter, o homem chamado Harry Osborn, filho do Duende Verde original. Nos quadrinhos, ambos se conheceram na faculdade e se tornaram grandes amigos ao longo dos anos.

A relação dos dois foi conturbada e tumultuada, com o Aranha enfrentando diversas vezes o pai do rapaz, Norman Osborn. Harry viria a se tornar o novo Duende Verde e infernizar a vida de Peter, até que ele quase venceu seu nêmeses.

Preso em um prédio prestes a explodir, Peter está satisfeito em saber que sua esposa Mary Jane estaria a salvo da explosão antes de sucumbir ao cansaço. Harry lembra quem Peter realmente é e o salva, mas ele foi enfraquecido pela formula do duende e está nas portas da morte. Não foi preciso palavras para que os leitores lembrassem o quão forte era o laço entre eles durante os últimos momentos de Harry.

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3. Tim Harrison
Em 1984, Roger Stern fez com que uma legião de fãs borrassem as páginas de suas revistas quando, na edição #248 de Amazing Spider-Man, ele trouxe a vida o jovem Tim Harrison. Considerada uma das dez melhores histórias do Homem-Aranha pela já extinta revista estadunidense Wizard, em apenas algumas páginas, somos levados a lágrimas.

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Abrindo com uma matéria do Profeta Diário sobre um jovem que coleciona coisas relacionadas ao Homem-Aranha, vemos nosso herói visitando o garoto e explicando suas razões para ser um herói. Basicamente, Tim e o Aranha conversam em toda a história, até que Tim pede ao Cabeça de Teia que ele mostre sua verdadeira identidade.

Para a surpresa de muitos, Peter realmente o faz, inclusive dizendo seu verdadeiro nome. Ele então diz que Tim sempre será seu amigo e abraça o garoto, logo antes de ir embora. No muro do prédio, é mostrado Peter cobrindo seu rosto, provavelmente chorando enquanto toda a dura realidade atinge os leitores: uma placa com os escritos “Slocum Brewer Clínica de Câncer” e a conclusão da matéria do Profeta, dizendo que Tim tem leucemia e que só tem mais algumas semanas de vida. O maior desejo do garoto? Se encontrar com o Homem-Aranha e conversar com ele.

2. Enfrentando os irmãos Rasputin
Durante o evento “Vingadores VS X-Men”, cinco mutantes (Ciclope, Colossus, Namor, Emma Frost e Magia) receberam o poder da entidade cósmica Fênix e se tornam quase invencíveis. Só para se ter uma ideia, foi preciso todos os Vingadores (com o Hulk Vermelho incluso) para derrotar APENAS Namor. Um pequeno detalhe: após um deles ser derrotado, o poder dele passa para os demais, ou seja, quando Namor caiu, todos os quatro restantes ficaram mais fortes.

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No decorrer do evento, diversos membros dos Vingadores são pegos como prisioneiros dos X-Men, mantidos em uma dimensão alternativa criada por Magia. Em uma tentativa desesperada de resgatá-los, Capitão América e o resto da já cansada equipe invadem o local, apenas para serem pegos pelos irmãos Rasputin. Homem-Aranha se lembra das palavras ditas por ele próprio para Esperança Summers, a messias mutante, joga seus companheiros para longe e sela a entrada do local onde ele fica sozinho para enfrentar os dois mutantes.

Completamente inferior ao poder dos dois inimigos, o Homem-Aranha é rapidamente derrotado, mas ele se levanta novamente. E novamente. Não importa quantas vezes ele é levado ao chão, ele se levanta mais uma vez, consciente de que ele é a única coisa entre seus companheiros e sua captura. Quebrado brutalmente pelos dois, ele continua levantando até que consegue fazer com que os dois irmão lutem um contra o outro ao insinuar de que um vai terminar traindo o outro.

Esse é provavelmente um daqueles momentos que deixam o leitor completamente absorto e mostram o quão incrível um único personagem pode ser. Para mim, foi o ápice da batalha entre os Vingadores e os X-Men.

1. Inabalável força de vontade

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Em fevereiro de 1966, meros três anos após a criação do herói, Stan Lee escreveu o roteiro desenhado por Steve Ditko cujo título era “O Último Capítulo”. A capa? O Cabeça de Teia soterrado por escombros. Nessa edição, Peter é soterrado por toneladas de escombros e incapaz de se libertar sozinho. Ele está prestes a morrer afogado. É um momento realmente tenso, no qual ele chega perto de simplesmente desistir, mas então se lembra de Tia May, Tio Ben e de todos aqueles que são queridos a ele. Com isso em mente, o Aranha consegue juntar a força de vontade necessária para se libertar.

Este momento não só mostra o maior poder do personagem, sua inabalável força de vontade, mas também que quando é preciso, nada pode ficar em seu caminho. Muitos esquecem, mas ele não é o herói mais forte, nem o mais rápido ou o mais inteligente, mas sua ideologia, sua garra e sua habilidade de jamais desistir, não importa o quão desesperadora seja a situação, são o que mais marcam esse personagem.

 

É isso aí minha gente… agora estou um pouco deprimido depois de relembrar alguns desses momentos, mas isso é bom. Um personagem ser capaz de trazer tantas emoções diferentes aos leitores, mesmo depois de tantos anos,é um ótimo personagem! Confiram um vídeo com um tributo ao cabeça de teia.

Por Caio De Paula

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