super homem

Salve! Salve Nerdaiada! Semana passada o mundo dos quadrinhos uivou por um de seus personagens (eu pelo menos fiquei com vontade de chorar L).

A DC decidiu espalhar fotos do redesign de um dos personagens mais icônicos (para não dizer o mais ‘motherfoka) de todos os universos já criados. O personagem LOBO entrou para o hall nova/velha ‘tchurma dos remakes da DC. Pra quem não conhece (se você for mulher, tudo bem, mas se for homem “Como assim?!”), podemos fazer uma comparação de que o LOBO é o Venom da DC (se você também nunca ouviu falar do Venom, peloamordedeus corra para uma loja, banca, comicstore ou em algum dos nossos patrocinadores (Dim! Dim! Dim! $) e compre algumas revistas URGENTE!).

LOBO é um anti-herói que os leitores curtiram tanto, que acabou ganhando uma revista própria. O cara é tão sinistro que foi expulso do inferno, banido do céu e é um dos poucos que pode dizer que deu um pé na bunda do Azulão favorito da América.

heróis

“Tá, e daí? Qual o problema de terem refeito ele?” O problema é que ele ficou assim!

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Por que deixaram o LOBO assim ainda é um grande mistério, mesmo depois do Editor-chefe da DC ter declarado que a versão anterior “não representava realmente a ideologia do personagem”… E onde eu quero

chegar com tudo isso? Primeiramente quero manifestar a minha indignação porque isso foi uma ‘putasacanagem! Em segundo lugar, quero trazer uma pergunta para vocês: Por que precisamos de novos heróis?

Quem gosta ou acompanha um pouco os universos dos quadrinhos norte-americanos, tem ideia (ou pelo menos suspeita levemente disso) de que a maioria dos super-heróis foi criada entre as Guerras Mundiais (não incluindo a Z) ou no Pós Guerra. O Super Homem, por exemplo, representa a autoafirmação do povo judeu, uma vez que seus criadores, Jerome (Jerry) Siegel (1914-1996) e Joseph (Joe) Shuster (1914-1992), eram filhos de imigrantes judeus vivendo as dificuldades e inseguranças do pós Primeira Guerra. Outros exemplos dessa correlação são: o Capitão América e o Hulk, que representam tentativas de se criar o “super soldado”, a garantia da segurança de um povo e a supremacia de uma nação perante as ameaças externas e as guerras.

heróis

Durante esse período entre a Primeira e a Segunda Guerra, tivemos a Era de Ouro das histórias em quadrinhos (entre 1930 até aproximadamente 1948), onde as pessoas tinham uma necessidade quase fisiológica de consumir quadrinhos e cada vez mais e mais heróis surgiam nas HQs (todos salvem Stan Lee! Salve!). A figura do herói era necessária, tanto que até os próprios soldados americanos dedicavam suas horas de descanso às páginas dos super heróis para relaxarem e saciar um pouco as saudades de casa. Essa ligação com a realidade histórica era tão forte, que os próprios heróis foram pra guerra. Praticamente todos tiveram a chance de dar uma pedalada no Hitler. Batman, Lanterna Verde, Capitão Marvel, Aquaman, Gavião Negro e Flash, são outros que também pintaram as páginas durante esses anos dourados.

heróisCom o passar do tempo, os roteiros das histórias e alguns personagens foram perdendo suas referências. A guerra havia acabado, não havia grandes ameaças no mundo… E para complicar um pouco mais a vida dos super heróis, nos anos 1950 o livro Seduction of the Innocent do psiquiatra Frederic Wertham, culpa os quadrinhos pela delinquência juvenil da época. Surgiram os selos de censura e classificação, o Comic Code Authority, que limitava ainda mais o que aparecia nas páginas (agora para muitos, menos coloridas – afinal, cadê o sangue?), proibindo os excessos de violência, sexo e qualquer outra coisa considerada imprópria para a mente dos jovens pimpolhos.

Somado a tudo isso, a figura de herói não era mais tãããão necessária. Foi aí que se iniciou a queda dos personagens e das histórias em quadrinhos. A consequência disso tudo foi que muitos personagens tiveram suas histórias e suas origens (e porque não dizer suas próprias essências) bagunçadas, a um ponto que nem os autores e/ou desenhistas sabiam mais o que era verdadeiro e o que era invenção (o Wolverine que o diga!). Esse “anticlímax” foi um dos motivos para as grandes mudanças que tem acontecido nos quadrinhos dos super-heróis desde os anos 1990.

Outro grande influenciador de mudanças foi o cinema. Através das modernas adaptações cinematográficas lançadas nas últimas duas décadas, o público pôde “sentir” super heróis de outra forma. Alguns filmes, como o Homem Aranha (Tobey Maguire), fizeram tanto sucesso de público que o personagem sofreu mudanças nos quadrinhos também. Peter Parker passou a produzir teias orgânicas depois do primeiro filme (2002), algo que nunca havia aparecido nos quadrinhos do aracnídeo.

homem aranha

A última farra veio com o lançamento do Novos 52. Essa proposta fez com que todos os heróis da DC fossem resetados! TODOS! O próprio Azulão (que eu jurei que seria o “Escoteirinho da América” para sempre) foi inteiramente reformulado e trazido às telas em 2013 nessa nova roupagem meio alienígena e menos amigável (já tínhamos visto algo assim no seriado Smallville, em um episódio que Kal-El recebe a mensagem de que fora enviado à Terra para conquistar e não ao contrário).

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Então, qual é a resposta para a pergunta? Precisamos de novos heróis? Eu, particularmente, acredito que sim. Isso é algo natural. Pense por que é tão difícil acompanhar um mesmo quadrinhos por mais de uns 5 anos? Nossas referências mudam. Nossas prioridades e nossa vida mudam. Não conseguimos ler algo que seja distante da nossa realidade. É necessário haver alguma semelhança, uma identificação nossa com o personagem ou a história, pelo menos em algum nível.

Claro que não deixo de ter medo pelo que vem por aí porque, como comentei no meu outro post, estamos entrando em uma crise e como no mundo de hoje tudo é interligado e influenciável (que frase de velho… Ah, mas fo#*-se!). Um LOBO com carinha de Edward do Crepúsculo, não dá vai?! Imagina se resolvem mexer no Jugernaut ou no Darkside? Onde irão parar os representantes da testosterona quadrinística??

E você? Acredita que as casas de ideias DC e Disne… (Ahaam!)… Marvel, estão indo para o caminho certo? Teremos super heróis metrohomossexuais multicoloridos politicamente corretos, com filhos e cachorro ou ainda poderemos contar com o bom e velho “bate primeiro, pergunta depois”?

Daniel Keller – lembra com saudosismo da época da Era de Prata e dos formatinhos.

PS: Se gostaram desse post ou querem saber mais sobre quadrinhos, sobre as Eras de Ouro e Prata ou sobre o porquê eu tento escrever, comente! Nós vamos até onde nenhum blogueiro jamais esteve para trazer as respostas!

PS 2: E no próximo post, cervejas! Compre a sua e venha beber com a gente!

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About The Author

Daniel Keller

"Far over the misty mountains cold, to dungeons deep and caverns old. We must away ere break of day, to seek the pale enchanted gold…" Sobrevivente e acumulador de histórias, desbrava o mundo através da imaginação e da criatividade. Designer por escolha e redator por sorte do destino, busca a vida perfeita. Longa vida à Nação Nerd!

3 Responses

  1. Rudson Tabosa

    Eh… primeira vez, comentando… os posts daqui são excelentes! Queria poder ser uma força aq na medida do possível. Pois é acabei de ser apresentado ao Lobo na MelhoresHQ e ele representa algo totalmente diferente da merda de personagem reeditado que o amigo fez o favor de mostrar acima. A diferença é gritante! Um personagem como o LOBO não é só um conjunto de traços e cores superestimados mas carrega uma ideologia, uma mensagem e símbolo. Ele representa a vontade que todos nós(e digo todos mesmo porra) de botar pra fuder em tudo que nos ameaça e nos confronte seja no âmbito politico, social ou psicológico. Representa a iniciativa de tomarmos coragem para isso, mas também ilustra como ficamos presos às correntes de nossas próprias regras(trabalho etc…)paradoxalmente. Representa o orgulho de si mesmo de "ser e se achar o MAIORAL" de se impor não com timidez ou pouca expressividade, mas com violência e caos extremo! É ser FODA em tudo que faz e foda-se a opinião de todo mundo. Assim como representar isso com um personagem com as feições acima? Tá dificil de engulir, haha… dessa vez realmente mataram o Lobo. Estão fazendo o mesmo que a KONAMI fez com DevilMayCry Dante parece com Rihana agora…o jogo tá uma bos…então tá no mesmo caminho… Eu concordo que deve haver novos heróis da atualidade mas as grandes empresas, como nos games não tquerem arriscar, então reeditam o antigo…certo, mas nem sempre sai legal nê? Vide matéria acima, vou… jáescrevi demais! Espero ter obtido contato neste vasto universo ao infinito,

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  2. Daniel De Mattos Keller

    Salve Rudson!
    É isso! Você entendeu nossas coordenadas muito bem! Parabéns soldado!
    O exemplos do LOBO e do Dante, como você comentou em seu relatório, são claros e de acordo com nossas informações. Como comentei: ESTAMOS EM CRISE!
    Sua análise é precisa, Rudson. Um personagem tão representativo como o LOBO, jamais poderia ser representado como foi no redesign. JAMAIS! Temos a sorte de terem mantido o LOBO em seu envelope antigo no jogo INJUSTICE: Gods among us. Mesmo assim, devemos ficar de olho porque reedições não param de acontecer e com a influência da industria cinematográfica, Deussabeláonde vamos parar!
    Continue fornecendo informações e opiniões, soldado. BRAVO!

    Over and out

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