protesto São paulo

“Vem, vem! Vem pra rua contra o aumento!”

Apenas um convite informal? Devo dizer que não. Confesso que no primeiro dia de protestos em São Paulo fiquei indignada com a violência. O manifesto dispersou da Avenida Paulista e ouvi relatos de amigos sobre a invasão até mesmo de um shopping. Desordem.

Pensei: conheci integrantes do Movimento Passe Livre (MPL), sei que a proposta é ser pacífico sempre, mas por que o que vi pelas imagens e ouvi foge tanto do objetivo? Quem são essas pessoas que acreditam que vandalizar pelas ruas resolve o problema? Fui contra.

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A discussão chegou até na roda de amigos em um bar. Uma manifestante levou meu ponto de vista como contrário e subiu a voz. Fiquei mais confusa ainda. Querem baixar o preço da passagem, mas quebram o metrô, o que serve de argumento para as autoridades virem para cima sem ouvir ninguém. Como o MPL argumentou as coisas com o prefeito?

Dúvidas que me fizeram pensar até de madrugada. E então, na quinta-feira (13) a truculência da polícia. Bomba de gás lacrimogêneo em um carro de um senhor que apenas tentava seguir seu caminho. Tiro de borracha como censura à imprensa. Desordem e abuso. O coração bateu forte, a revolta foi grande. Amigos contavam as péssimas sensações do gás. A humilhação de ser encurralado por motivo inexistente em um muro e literalmente apanhar. Isso está muito errado. Essa revolta, os relatos, as imagens fortes me fizeram entender porque não é só pelos R$0,20.

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Decidi me juntar, de peito aberto, e na segunda-feira (17) fui preparada para enfrentar qualquer tipo de reação da polícia. Fui, como brasileira que vê o salário sumir todo mês com os preços altos; que passa por situações humilhantes no transporte público praticamente todos os dias; que foi para o exterior e ouviu os estrangeiros falando das festas, da bunda, do carnaval com mulher pelada, e mesmo assim chorou no show de um grande brasileiro em Portugal – salve Martinho da Vila – porque teve saudades de casa. Acordei para o fato de que mesmo com tanta porrada o brasileiro é um povo digno, que segue sorrindo mesmo com a desigualdade e violência, só que pelo menos nos últimos dez anos anda cabisbaixo. Perdeu a esperança. Acordei, e não fui a única, para a idéia de que tudo isso precisa mudar, e que, embora o povo tenha clamado por questões diversas nas ruas em uma manifestação que vai entrar para a história, de forma confusa, o que importa mesmo é a motivação que voltou a ocupar a energia do Brasil.

Caminhei do Largo da Batata até a ponte Estaiada, perdi a voz chamando as pessoas para a rua. Senti o coração acelerar ao ver panos brancos nas janelas, jovens se ajudando, famílias nas ruas e pais explicando com orgulho para os pequenos o que tudo isso significava. Uma aula de democracia a céu aberto, que não se aprende nas salas de aula. E logo na chegada da ponte, uma recepção calorosa de quem já tinha chego lá no alto e ajudava as pessoas a subirem cantando o hino nacional. As vozes ecoavam. Olhos cheios de lágrimas e a certeza veio: sim, nós temos força e vontade de mudar.

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O desejo é de que a nação de fato tenha acordado e agora aguente firme para que um passo da mudança se concretize a cada dia.

Hoje (19), fui para a Avenida Paulista. Não gostei do que vi na prefeitura. Um grupo pequeno de manifestantes foi agressivo e fez o contrário do que aconteceu ontem. Não desistimos. Pacíficos fizeram o possível para acabar com a violência e nós, uma multidão, na Paulista continuávamos a cantar. Cheguei em casa por volta de 23h30. Às 23h40 li no Facebook os avisos dos amigos falando das bombas na Rua Augusta e região. O choque tinha chegado. Não tive mais notícias e espero que isso não se repita.

É só o começo. Aos poucos, todos aprenderão a exercer os direitos de forma digna. Unidos poderemos ensinar o povo sobre o voto com consciência. Acredito que podemos criar o hábito de ir a audiências públicas, dar opinião.

Há quem diga que isso acontece desde a descoberta do país e somente agora as pessoas se mexeram. Por que, ao invés de olhar o passado, não se aproveita o momento e começamos de novo? Que tal os próprios brasileiros redescobrirem o Brasil e tomarem conta do próprio país com mais garra do que nunca?

VEM PRA RUA!

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Por Gabrielle Chamiço

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9 Responses

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