“Os anões Quincas e Edgarjoe acabaram sendo surpreendidos pela pequena Hellen, que estava escondida dentro de uma caverna. A menina conseguiu sobreviver por milagre ao ataque realizado por bandidos à sua comitiva. Todos estão mortos. Agora cabe aos nossos aventureiros decidir o que será feito da criança…”

Salve, salve, rpgistas e aventureiros! Cá estamos nós na terceira parte desse misterioso RPG! Depois de se embrenharem na floresta, os anões Quincas e Edgarjoe encontraram restos de uma carruagem, que havia sido largada no meio da estrada. Aparentemente não havia nenhum sobrevivente… mas eles encontraram um rastro, um pedaço de tecido fino que devia pertencer a uma mulher. Ao procura-la, foram atacados… por uma menina de aproximadamente 5 anos de idade (e que quase matou os dois em uma emboscada).

Se você não leu o capítulo 1 e o capítulo 2 dessa história, PARA e vai lá ler! Sério! Essa história de RPG não fará sentido se não ler desde o começo.

Nossos corajosos (e um pouco desmoralizados) aventureiros precisam decidir o que fazer a seguir. E vocês, caros refugiados, escolheram como essa aventura deve continuar! Então aperte o play…

Pegue seus fones, seu refrigerante e “vamo que vamo”!

Capítulo 3 (opção escolhida: nº 2)

Os anões montam acampamento e discutem o que farão com Hellen. Mas ao se recolherem, percebem que a criança sumiu. Ao tentar encontra-la, ambos descobrem uma área deserta e de terra negra no meio da floresta.

bunkernerd_rpg-a capanha_cap3_a caminhada

Hellen – E foi assim que eu aprendi a fazer tudo isso.

Quincas – Você é a criança mais inteligente que já vi, pequena Hellen. Você lidou muito bem com a situação que passou… mas fique tranquila! Levaremos você até seu padrinho em Einsemburg.

Edgarjoe, que ouvia a conversa de longe, parou o que estava fazendo e olhou seriamente para os dois.

Edgarjoe – Mas o que?! Vamos levar isso aí até o outro lado do continente?

Quincas – Termine de montar a barraca Edgarjoe, depois discutimos isso. – respondeu o amigo em tom de reprovação. Edgarjoe às vezes é insensível demais, até para um anão.

Edgarjoe – É fácil falar! Vocês dois só ficam aí sentados ao lado da fogueira! – Edgarjoe resmunga mas continua fazendo suas tarefas. Quincas cozinhava o jantar enquanto conversava com a menina.

Quincas – Bom, vou procurar algumas raízes para usar como tempero. Espere aqui que já iremos comer.

Hellen– Tem certeza?

Quincas – Sim. Por quê? Você não gosta?

Hellen – Eu não ligo… mas talvez os Shimatas não fiquem felizes.

Quincas – Shimatas?

Hellen – Você não sabe o que é um Shimata? – pergunta a menina como se estivesse falando da coisa mais óbvia do mundo.

Quincas – Não…

A menina fica de pé e começa gesticular e interpretar tudo o que falava. Ela parecia extremante empolgada em contar às histórias que conhecia.

Hellen – Uma vez… li nos livros do meu papai que os Shimatas são pedacinhos de um deus poderoso!

Quincas – Fragmentos de um Deus?

bunkernerd_rpg-a capanha_cap3_shimatasHellen – Não. Pedacinhos beeeem pequenininhos…

Quincas – Mas é a mesm… Entendo… Continue. – o anão quase esqueceu que está falando com uma criança humana. Respirou e se acalmou para ouvir o restante da história sobre os tais Shimatas.

A criança toma um grande fôlego e começa a falar e gesticular em uma velocidade incrível!

Hellen – Eles foram espalhados pela floresta sagrada para protegê-la dos homens maus e são extremamente poderosos porque uma vez papai me disse que 13 magos se juntaram para enfrentar um Shimata de igual para igual, mas eles perderam porque essas criaturas são imortais… ufa!

Quincas pisca os olhos rapidamente como se estivesse ainda processando tanta informação.

Quincas – Então… você está dizendo que esta floresta é sagrada e que se fizermos algum mal a ela… eles virão nos punir?

Hellen coloca as duas mãos para trás e balança a cabeça confirmando que o anão tinha razão.

Quincas – Mas e os coelhos que caçamos?

Hellen – Matar para se alimentar faz parte da natureza. Não fizemos nada de errado, mas não sei se sair arrancando raízes por aí é uma boa ideia.

Quincas –  Está bem! É melhor prevenir… não vamos ser descuidados.

Edgarjoe – Você vai mesmo acreditar nessa menininha? Crianças acreditam em tudo que dizem pra elas!

Quincas – Não vamos discutir isso agora. Vamos jantar e logo depois a senhorita vai dormir! Você precisa aguentar a caminhada amanhã e eu preciso ter uma conversa de adultos com Edgarjoe.

A menina não reclamou. Comeu seu jantar, agradeceu e foi para dentro da barraca descansar. Ela parecia extremamente bem disciplinada para sua idade. Quincas esperou um tempo até que ela dormisse, então começou a discutir.

bunkernerd_rpg-a capanha_cap3_o acampamento

Quincas – Como faremos para leva-la até Einsemburg?

Edgarjoe – Não faremos! Teríamos que carrega-la a viagem toda e dar uma volta enorme.

Os dois conversavam em tom de sussurro, pois não queria acordar Hellen e lidar com um escândalo de uma criança humana.

Quincas – Mas que outra opção temos? Vamos deixa-la aqui?

Edgarjoe – Não! Isso seria uma crueldade! Mas podemos deixa-la para adoção na cidade mais próxima. Alguém cuidará dela.

Quincas – Ah, vamos Edye. Não é tarefa difícil para dois anões como nós!

Edgarjoe fica um tempo encarando Quincas com uma cara fechada.

Edgarjoe – Se me chamar de Edye mais uma vez eu quebro seu nariz! – diz o anão apertando forte a mão na frente do rosto de Quincas.

Quincas – Está bem… Desculpe… mas sabemos que ela tem familiares lá. E com certeza nos recompensarão pelo trabalho. A única coisa que devemos fazer é proteger uma criança. Não pode ser tão difícil assim!

Edgarjoe faz uma cara de espanto e aponta seu largo dedo indicador para seu nariz, que está inchado devido as pancadas que recebeu de Hellen algumas horas atrás, durante a incursão à caverna. Quincas segura sua risada para não magoar o amigo (e também para não acordar Helen, pois todos sabem o volume de uma gargalhada de anão).

Edgarjoe – Não vai ser difícil? Aquela coisa quase nos matou na caverna! Ela derrotou dois anões ao mesmo tempo! Você tem noção dos problemas que ela vai nos causar?!

Quincas – Fique tranquilo Edgarjoe. Vou educá-la com o tempo. Você vai ver que vai ser moleza! Agora vamos descansar, pois amanhã temos muito que andar.

Assim, os dois se levantam e foram até a barraca. Porém, assim que colocam a cabeça para dentro, ficam congelados na entrada olhando para os sacos de dormir.

bunkernerd_rpg-a capanha_cap3_o desaparecimento

Edgarjoe – Er… Quincas… a…

Quincas – A Hellen deveria estar dormindo aqui, não é?

Edgarjoe – E onde ela está?

O clérigo começa a pegar seu equipamento enquanto procura por rastros.

Edgarjoe – Você vai mesmo atrás dela? Ela saiu porque quis!

Quincas – Ela é uma criança!!! – responde o anão nervoso e fazendo gestos para cima.

Mesmo ouvindo as reclamações do amigo, Quincas acende seu lampião e segue em direção à floresta escura. Ele grita o nome da menina o tempo todo, aguardando por uma resposta. Logo atrás, vem Edgarjoe resmungando como um verdadeiro anão. Eles nem precisaram andar muito até ouvirem uma resposta.

Hellen – Tio Quincas? Eu estou bem, pode ficar tranquilo.

Não era possível ver a menina. Parecia estar a uns 10 metros à frente.

Edgarjoe – O que você veio fazer aqui, desgraça?

Hellen – Eu precisava fazer xixi, ué!

Quincas – E porque você não pediu?

Hellen – Eu tinha medo que alguém espiasse.

Edgarjoe fica vermelho de raiva. Ele teve que se segurar muito para não sair do lugar e dar uns belos tapas em Hellen. Avançou em direção a voz dela, batendo suas botas firmemente no chão úmido da floresta e dando uma bela bronca na menina.

Edgarjoe – Já terminou?! Então venha logo!! E da próxima vez que fizer isso, eu juro que te deixo para trás!!! Você merece mesmo é ficar um dia sem comer para ver o que é bom!!!

Quincas corre atrás de Edgarjoe para tentar para-lo antes que ele faça alguma besteira em um ataque de fúria. Conforme o lampião foi iluminando o caminho à frente, ambos viram a menina sair das sombras de cabeça baixa e com as mãos para trás, toda encolhida. Aparentemente ela estava arrependida e com muito medo do guerreiro enfurecido.

Edgarjoe – E digo mais! Não quero ter mais nenhum problema por sua causa, sua capetinha!!! Nossa vida já está bem complicada e ainda temos que cuidar de você! Você sabe o quanto é difícil ter que…

Quincas dá uns cutucões em seu companheiro, fazendo-o interromper sua bronca e olhar para o lado… ele apontou bem à frente, no meio das árvores.

Edgarjoe – O que foi? Viu alguma coisa? Apague isso! Enxergo bem melhor no escuro!

Quincas – Parece ser… o fim da floresta.

Edgarjoe – Impossível! Eu analisei cuidadosamente o mapa! Ainda são necessários mais dois dias de caminhada para deixarmos essa floresta!

Quincas – Vamos lá, dar uma olhada.

Quincas segura Hellen pela mão.

Quincas – Fique perto de mim, senão pode se perder.

Os três avançaram com cuidado por mais uns 10 metros. Foi aí que ficaram de boca aberta com o que acabaram de encontrar. Um grande, imenso círculo negro com quilômetros de diâmetro. Não havia nenhuma árvore, arbusto ou flores. Nem uma única folha sequer. O chão era composto por uma terra negra, tão seca quanto a areia do deserto mais quente. E um frio insuportável habitava aquela região.

bunkernerd_rpg-a capanha_cap3_a floresta queimada

Edgarjoe – Mas o que é isso?! Um incêndio talvez?

Quincas – Incêndios não fazem círculos perfeitos. E também deixam rastros das coisas que queimaram… mas não há nada aqui. Apenas essa terra negra e esse frio.

Hellen – Mas como os Shimatas permitiram que isso acontecesse com a floresta sagrada?

Os dois olham surpresos pela falta de medo na voz da menina. Como ela não se assusta com um cenário desses?

Quincas – Provavelmente isso foi feito por algo ainda mais poderoso que os espíritos da floresta. É melhor sairmos daqui. Vamos descansar e nos afastar ao máximo disso.

Os aventureiros estavam tão abalados com o que viram, que se esqueceram da discussão de antes. Quincas fez uma oração mais prolongada do que costumava fazer diariamente e então, dormiu enquanto refletia sobre o que teria causado aquela enorme destruição.

Será possível existir uma criatura tão poderosa que nem mesmo os Shimatas conseguem impedir? Se existe, essa é a última coisa que eles pretender encontrar durante sua jornada.

 

Vish! Parece que algo sinistro está muito perto de nossos três aventureiros. RPG é isso! Quando você acha que dá para descansar, algo sempre acontece! E aí, refugiados? O que acontece agora?

1. A maldição de Edgarjoe causa um ataque mental ao anão. Ele tem uma visão horrível e grita no meio da floresta.
2. Depois de muito andar, os três se veem encurralados, mas tem algo pior… algo se aproxima e é enorme.
3. Feridos devido a uma batalha que não esperavam travar, Quincas e Edgarjoe são surpreendidos por Hellen. A menina estende as mãos em frente a eles e cura seus ferimentos.
4. Ferido e confuso, Edgarjoe entra em um frenesi de fúria e parte para cima da pequena Hellen.

Votem nos comentários. A opção que receber mais votos influenciará nas ações do capítulo 4. /o/

 

Texto: oficial Lucas Merlin
Colaboração: GEN Keller

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