Agora a coisa ficou séria! RPG é sempre assim, quando pensamos que teremos algum tempo para pensar e equipar nossos personagens, algo absurdamente inesperado acontece! Depois de finalmente terem vencido a Grande Floresta e o deserto, Quincas, Edgarjoe e Hellen chegam a Nova Nirgat, acompanhados pelo recém-conhecido mago Abu Abd Allah Muhamed Al Jair (e sua cabra, Abu Abd Allah Muhamed Al Bee Méé, ainda mais misteriosa).

Já na cidade, o grupo fica sabendo que a situação de Edgarjoe é ainda mais perigosa do que imaginavam e optam por visitar uma maga elfa Caliel, que morava na região. Caliel revelou que a história relacionada a maldição posta em Edgarjoe é muito, mas muito antiga e também muito sinistra. Agora, nossos aventureiros possuem um novo objetivo. Que a jornada continue!

bunkernerd_rpg-a capanha_cap8_o rei maldito

CAPÍTULO 8 (opções escolhidas: nº 1 e 2)

“Depois da batalha contra as cinzas, Caliel revela novas informações sobre a quest. E eles descobrem que o tempo é curto… Edgarjoe fica muito diferente depois do ‘exorcismo’.”

 

Rei – Ladrão! Ladrão! Fique longe do que é meu! Este é sua punição pelo que fez!

Abu rapidamente ergueu seu cajado de bambu e posicionou-se entre Edgarjoe e a criatura de cinzas.

Abu – Muhamed! A garrafa!

Ninguém estava entendendo o que acontecia, mas assim que o mago terminou sua frase, a cabra começou a correr até desaparecer na multidão. Quincas já esperou o suficiente. Pegou sua maça estrela, conjurou seu escudo e investiu contra a nuvem de cinzas. Em um único ataque, o clérigo conseguiu arrancar parte do peito do rei, revelando seu coração em chamas.

Caliel – Tente não destruí-lo! Apenas resista!

A criatura não fez o mínimo esforço para desviar do ataque. Parecia não se importar com seus ferimentos. Foi então que proferiu algumas palavras em outro idioma e conjurou em sua mão uma grande espada flamejante. Antes que qualquer um pudesse agir, o rei balançou sua espada horizontalmente, lançado chamas em todos a sua frente.

bunkernerd_rpg-a capanha_cap8_o ataque

Quincas conseguiu proteger-se com seu escudo mágico. Edgarjoe estava caído atrás de Abu, então não foi atingido. Porém, os dois magos se queimaram gravemente. Caliel estava com o rosto e os braços inteiramente queimados, mal conseguindo enxergar e muito menos se mover. Sua pele estava completamente destruída.

Edgarjoe estava se sentindo mal, mas não podia deixar seus amigos lutarem sozinhos. Reuniu forças por um instante, levantou-se e pegou sua grande picareta.

Edgarjoe – Você nunca mais vai me chamar de ladrão, resto de fogueira! Você me dá raiva!

O guerreiro, furioso, foi em direção a criatura e atingiu um de seus braços, arrancando mais um pedaço e espalhando pó pelo ar.

Abu – NÃO! Não o destrua! Resista!

Os dois anões não entenderam o motivo, mas o mago parecia saber o que estava fazendo, então pararam de atacar imediatamente.

Quincas – Protejam-se! – gritou o clérigo já erguendo seu escudo.

Todos correram e se esconderam atrás de objetos ao redor enquanto o rei lançava chamas para todos os lados. Quando os anões já estavam desistindo de esperar, a cabra retornou. Ela corria desesperadamente com uma garrafa na boca. Ao se aproximar, soltou a garrafa o mais próximo possível dos pés do rei.

Muhamed Al Bee Mée – Mééééééé!!!

Abu – Entendido!

Ao ouvir a cabra, o mago levantou-se de trás dos barris em que se escondia, ergueu seu cajado de bambu e gritou algumas palavras em um idioma estranho aos anões. Quando terminou, a nuvem de cinzas começou a ser violentamente puxada para dentro da garrafa. O rei tentou resistir, mas foi inútil. Em menos de um minuto estava completamente preso e selado.

Abu – Feito! Agora temos mais pistas! – comemorava, enquanto coloca uma rolha para tampar a garrafa.

Caliel estava ajoelhada tentando não se mover. Cada sutil movimento a fazia sentir ainda mais dor em suas queimaduras. Quincas se aproximou. Ele estava praticamente da mesma altura que a elfa ajoelhada. O clérigo segurou gentilmente as mãos da maga elfa e olhou calmamente em seus olhos.

Quincas – Respire.

Caliel encheu seus pulmões o máximo que conseguiu e soltou o ar lentamente. Enquanto isso, seus ferimentos foram desaparecendo gradativamente. Desde a ponta de seus dedos, até chegar em seu belo rosto. Já não era possível ver uma marca sequer.

Caliel – O… obrigada. – dizia enquanto passava a mão em sua bochecha, ainda não acreditando no que aconteceu.

Edgarjoe – Eu quem agradeço elfa… – respondeu o guerreiro, ainda ajoelhado no chão.

Edgarjoe para por um instante, com uma cara estranha. Quando agradeceu a elfa, percebeu que sua voz estava bem mais aguda do que o comum.

Edgarjoe – Teste! Teste! Cerveja! Mais uma cerveja… – dizia com a mão na garganta – mas o que você fez comigo?!

Caliel – Com você? Nada. Apenas tirei o fragmento que estava dentro de você.

Edgarjoe – Mas e a minha voz? – questionou o anão em tom um tom que mostrava quase desespero.

Abu – Caliel foi muito inteligente. Ela entendeu sua maldição à primeira vista. Ainda bem que pensou rápido e tocou o berrante.

Hellen – Vocês podem explicar do início?

Quincas – Acalmem-se. Vamos entrar, se Caliel nos permite, e vamos conversar enquanto preparo uma sopa pra nós.

Todos entraram, fizeram alguns curativos necessários e sentaram-se em uma pequena mesa redonda onde Abu colocou a garrafa no centro. Quincas estava na lareira, ao lado, mexendo a sopa no caldeirão e ouvindo a conversa.

bunkernerd_rpg-a capanha_cap8_casa de Caliel

Caliel – Então… tudo aconteceu por culpa dessa porta mágica?

Edgarjoe – Sim. – respondeu o guerreiro, agora com voz fina.

Caliel – Bem, ao tocar na porta, você não só recebeu uma maldição, mas um fragmento da mente de alguém foi colocado dentro de você. Assim o hospedeiro podia seguí-lo, observá-lo e ver todas suas ações sem você desconfiar.

Edgarjoe – Foi exatamente o que pensei. – respondeu cruzando os braços de forma orgulhosa. Todos se entreolhavam e fingiram acreditar.

Abu – Bem, o menor dos problemas já resolvemos. Aqui está o fragmento. – disse o mago apontando para a garrafa. – Mas a maldição permanece.

Edgarjoe – Tá, tá bom! Visões! Grande coisa! E a minha voz?

Caliel – Visões e pesadelos não são os únicos problemas da maldição. De alguma forma, o mago que a criou, está sugando toda sua força vital, pouco a pouco. Por isso sua voz está mais aguda. Você está cansando mais facilmente, está precisando comer e dormir mais, correto?

Hellen – Mas maldições podem ser removidas, não podem?

Abu – Podem, mas os danos que foram causados são irreversíveis. Então quanto mais você demorar para remove-las, mais tempo de vida você perde. A cada hora que passa, você está perdendo duas na sua vida.

Quincas – Então precisamos ser rápidos! O problema é que não sabemos exatamente o que fazer… – disse o clérigo, claramente desanimado.

Caliel – Nem eu. Nunca vi uma magia tão poderosa e tão antiga antes. Mas…

Edgarjoe – Mas?

Caliel – Já vi aquele rei.

Quincas largou a concha no caldeirão e se virou para Caliel, atento e curioso.

Caliel – Não tenho certeza, mas ele é muito parecido com um rei que viveu a centenas de anos. Ele era poderoso…

Hellen e Caliel – … e queria cada vez mais e mais poder. – Hellen termina a frase junto com a maga.

Hellen – Já ouvimos essa história antes. Está em um livro de Abu.

Caliel olha surpresa com a inteligência da menina. Então continua.

Caliel – Bom, então vocês já sabem. Terão que ir atrás deste homem. Foi ele quem colocou esta maldição em Edgarjoe. Ele quem deixou um fragmento de sua mente para perseguir intrusos e provavelmente, também foi quem fez aquela porta.

Quincas – Você acha mesmo que um Shimata deu vida eterna a ele como punição?

Caliel – Não. Acredito que ele tenha roubado. Da mesma forma que está fazendo com Edgarjoe. Por isso viveu tanto.

Hellen – Mas como isso?

Caliel – Não sei dizer… mas sei que é possível. Recomendo que procurem um especialista no assunto. Ele vive em Noinshtain.

bunkernerd_rpg-a capanha_cap8_Noinshtain

 

Abu – Meu irmão! Eles já têm o endereço.

Caliel – Então vão rápido. Não há tempo a perder! Edgarjoe ficará cada vez mais fraco e poderá morrer se demorarem muito! Muhamed Al Kalled saberá como remover a tal maldição de forma segura, mas estejam preparados. Isso geralmente exige grandes sacrifícios.

Os anões engoliram em seco. Tudo está sendo muito pior do que previsto. Eles tomaram a deliciosa sopa, agradeceram a ajuda e se despediram. Precisavam por os pés na estrada o mais rápido possível. Quando estavam prontos para sair, Abu se colocou a frente da porta, bloqueando a passagem.

Abu – Esperem! Tem algo que vocês devem levar com vocês! Peguem isso…

A aventura continua! Escolham como lutaremos pela sobrevivência no capítulo 9!

1) O que Abu dá a nossos aventureiros é a cabra Abu Abd Allah Muhamed Al Bee Méé.
2) Enquanto se preparavam para partir, Caliel conversou rapidamente com a pequena Hellen e lhe entregou um objeto.
3) Ao chegarem a entrada/saída de Nova Nirgat, eles encontram com aquele grupo de homens que causou confusões na taverna.
4) Em sua caminhada para deixar o deserto, o grupo avista um bando de pássaros estranhos… mas não são pássaros.

 

Texto: oficial Lucas Merlin
Colaboração: GEN Keller

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