Eu adoraria encher esse post com opiniões e divagações acerca do novo 007 – Operação SKYFALL, mas aí eu pensei: se você já viu o filme, duvido que vá ler sobre, você já sabe o quão awesome – e me desculpem os refugiados, mas não achei uma palavra em português para descrever o quão impressionada pelo filme eu fiquei! – ele é. Mas se você ainda não viu é óbvio que não vai querer ler spoilers; talvez esteja buscando opiniões na internet, então aqui vai a minha.

Para começar, o título: SKYFALL. Numa tradução livre e literal, seria “queda do céu”. Mesmo após ver o filme e pensar sobre o que ele dá margem, não fiquei convencida do significado e fui em busca na internet. ATENÇÃO, eu disse INTERNET, portanto não sei se é confiável. Sendo ou não sendo, vale a teoria: Nesta discussão, um cidadão diz que encontrou uma frase de cunho jurídico que diz “fiat justita ruat caelum que significaria ” justice must be done, even if it means the sky falls”. (justiça deve ser feita mesmo que com isso o céu venha a cair). Posto isso, eu diria que o filme fica deveras mais interessante!

Skyfall é o melhor 007 de Daniel Craig. Ele nunca havia me convencido no papel, me parecia brutamontes demais, sem aquele charme-espião-sedutor que consegue manipular o gatilho de uma arma com a brutalidade que ele requer e ainda assim acertar a mira com uma precisão e delicadeza incríveis de quem desabotoa um vestido de seda de qualquer uma dos rabos de saia dos filmes com uma mão só. Coisa que, aliás, não tem taaanta ênfase nesse filme. Algumas pouquíssimas cenas de sexo e sedução, mas mais sutis do que em outros 007. Para as meninas que vão ao cinema em busca do espião que se apaixona e despedaça o coração de uma certa garota, esqueça esse filme.

Skyfall humaniza James Bond. Tanto que ele nem fala Bond, James Bond (mas da musiquinha que todos conhecem eles abuzaram…). Nada de um gazilhão de armamentos nucleares em um grão de feijão. 007 está mais para MacGyver mesmo. O filme tem explosões na medida certa e a sequência de ação inicial é maravilhosa. Nosso 007 da vez tem uma arma apenas e o que lhe restou de seus músculos pra enfrentar mais esta aventura. Ele se confronta com o próprio passado – e com o dos outros – e demonstra sentimentos (ulalá!).

Confesso que ao longo do filme me pareceu muito que os produtores andaram assistindo Inception e Batman non-stop. Há também um quê de Silêncio dos Inocentes. Para você que está indo ao cinema, te desafio a encontrar no filme o Bane, o Hanibal Lecter, a paisagem desoladora que Cobb e Mal criaram em Inception, Hanibal Lecter dentro da prisão, um quê do Coringa Ledger – que aqui comparo à formidável atuação de Javier Bardem, o vilão deliciosamente bem produzido da vez – um Bruce Wayne-James Bond perdido em meio à falta dos pais que lhes deixaram fortuna e um casarão, e o mais gritante de tudo: Michael Jackson está no filme!

Falando em Coringa – it is all part of the plan – Javier Bardem se presta terrivelmente bem ao papel de vilão. Não dá para falar muito ou vamos começar com spoilers, mas se você não gostar do filme, duvido que não dê risadas com a sua primeira aparição e o diálogo que se segue. E da cena do helicóptero, que apesar de parecer um tanto quanto Mercenários 2 e de quase terem errado a mão com esta parte, é megalomaniacamente legal. Aliás, toda a megalomania que os produtores exibiam nos outros filmes com as armas e cia que Bond tinha à sua disposição, desta vez eles inseriram no vilão Silva. Acertaram em cheio!

M. está presente em sua forma mais vulnerável e humana também. Mesmo sendo britânica e do MI6, você pode conferir a mulher que existe nela. Uma pessoa que erra e que precisa sair ao menos uma vez de trás das paredes e de dentro do escritório.

Fora isso, a entrada do filme combinada com a voz de Adele ficou como deve ser: digna de um double-o-seven. A fotografia do filme é bárbara, e o jogo de luzes que fazem nas cenas do prédio em Shangai (se errei a cidade me perdoem) é espetacular. Tiro o chapéu para quem pensou nela!

Alguns amigos meus não gostaram do filme e um outro dormiu. Bem, é a vida, não dá para agradar a todos. Mas mesmo se você não gostar, ainda é 007 e você precisa ver, de preferência em IMAX! (vale os reais a mais com certeza) Eu adorei e da próxima vez (que seja logo) vou ao cinema com mais gosto, Daniel Craig finalmente virou James Bond para mim.

Por Mariana Salata – @meninasal

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4 Responses

  1. Bruno

    Concordo com quase 100% do que tu escreveu Mari, com algumas ressalvas, a escolha do cast secundário poderia ter sido mais criteriosa. Acho que gastaram demais com o cachê do Javier Bardem, Ralph Fiennes e da própria Judi Dench e esqueceram dos “quase-figurantes”. Digo as Bond-Girls do filme, onde já teve algumas revelações ou consagrações.

    Outro personagem que acho que foi uma tentativa frustrada foi o Q. Antes interpretado muito bem por John Cleese, sempre trazia um senso de humor pro filme, algo que se perdeu infelizmente. Tivemos um Nerd’s metido em seu lugar.

    No geral, filme maravilhoso, com certeza o melhor dos 3 de Daniel Craig até o momento, mas perde para alguns anteriores. Não me surpreenderia se surgissem algumas indicações ao Oscar para este filme, por atuação… só se for para o eterno vilão Javier Bardem

    ** SPOILER **

    Fizeram muito bem a transição dos “M”s. Passa a sensação de que o novo M não irá cometer os mesmos erros que sua antecessora cometeu por não saber o que é estar em campo.

    Um erro grande pra mim foi colocar Moneypenny como uma ex-agente de campo, ela jamais foi a campo em qualquer filme ou livro de Ian Flemming e sempre foi uma mulher muito mais cordial e tentadora para James Bond, sempre “cutucando a onça com vara curta”.

    Vale cada centavo ver e rever o filme, isso sem dúvida.

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  2. Wolverine

    Fui um dos q quase dormi no Filme…descordo de muito do q disseram mas até entendo o seu ponto de vista…a tentativa de fazer um vilão fodástico foi boa, mas o ideal desse vilão é apenas a vingança (chamando a atençao com grandes destruiçoes, e irrastreabilidade), e não o caos, como o Coringa, o q abre um imenso abismo entre eles (o Coringa botava a Cara, não ficava se escondendo), a ideia da mascara e do cianeto ficou massa…mas é essa e mais duas cenas empolgantes no filme..o resto é apenas enrolação e chatisse previsível..o tipo de filme bom de se ver uma vez por ano, nao mais q isso…mas tbm nunca fui muito fã de 007..rs

    Abraços.

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  3. Solange

    Só gostei da abertura do filme, quando ele leva tiro e cai na água, muito bem feito, lembra totalmente o 007. O resto não gostei, nem quando a M foi morta. Aí que acabou a graça, deveria continuar viva ou colocar outra mulher, assim daria sentido ao 007.

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