A nova saga de Star Wars gerou controvérsia entre os fãs xiitas da série. Alguns culpam George Lucas, outros alegam que o timing não era o ideal e muitos se lamentam pelos episódios 1, 2 e 3 terem saído do papel. Dentre estes, o Episódio1: A Ameaça Fantasma é considerado por muitos como o pior filme de toda a nova trilogia. Mas por quê? Ou melhor, por onde começar?

Uma breve sinopse:

Depois de terem desaparecido há muito tempo, os Sith começam a armar uma conspiração para chegar ao poder, pelo caminho da política, através do Senado. Então, a Federação Comercial, aliada à Darth Sidious, usa o estratégico planeta Naboo para começar uma luta pelo domínio da taxação das rotas comerciais. Dois Cavaleiros Jedi são enviados para negociar, ao mesmo tempo, a Federação decide invadir Naboo e sequestrar a Rainha Amidala. Após salvarem a rainha, a nave dos Jedi tem um problema em uma das peças e eles são obrigados a aterrissar em Tatooine para concertos. La, Qui-Gon Jinn encontra o jovem escravo Anakin Skaywalker e o resto vocês já sabem.

Tirando as cenas de ação, gostaria de encontrar algum adulto que tenha gostado do filme. Durante 136 minutos, ficam indícios que a obra foi feita para crianças, assim como todos os filmes de Star Wars que tem fatores infantis espalhados por todos os episódios. Mas isto não é motivo para o filme ser considerado ruim. Um dos problemas é que, não existe o equilíbrio certo entre a parte infantil e a parte política. Lembro que quando eu era criança, adorava as cenas de ação e simplesmente ignorava a parte política. Depois que cresci e revi o filme, entendi o porquê. Se por um lado ela é exageradamente complexa e incompreensível para as crianças, por outro ela é chata e confusa demais até para os adultos.

O principal problema do filme tem nome, George Lucas. Sempre cercado de bajuladores que riem de todas as suas piadas, não há ninguém para apontar os erros crassos cometidos pelo diretor. Na nova trilogia, ele teve liberdade demais no filme. Antigamente, quando ainda não tinha o reconhecimento, o diretor tinha que lidar com as restrições e os recursos disponíveis, motivar o time de filmagem e ouvir a opinião dos outros antes de chegar ao resultado final.

A Ameaça Fantasma claramente foi feito com a paixão e no jeitinho do George. O filme se sustenta nos efeitos especiais, e pior, parece até ter sido feito exclusivamente para isso. Na trilogia anterior, quando faltavam recursos financeiros e tecnológicos, o diretor teve que trabalhar o roteiro da obra. E agora, com tantos novos efeitos, o roteiro ficou em segundo plano.

O que dizer do casting e das atuações durante o filme. Liam Neeson (Qui Gon) ficou apagado, sempre com a mesma expressão calma, transmitindo sabedoria Jedi. Ewan McGregor (Obi Wan), mesmo com pouco tempo na tela, consegue manter um bom nível atuação para um personagem mais jovial. Natalie Portam (Amidala) não pode fazer muita coisa ao interpretar a maior parte do tempo com Jar Jar Binks e o jovem Jake Lloyd (Anakin), que por sua vez tem o mesmo talento para atuação que uma porta (prejudicado pelo inúmeros “ops” presentes em suas falas).

Grande parcela de culpa está com George Lucas, ele se mostrou um péssimo diretor de atores e fraquíssimo na parte de diálogos. Em muitos momentos, acabam as falas e os personagens ficam se encarando por algum tempo, esperando a transição de cena. Comicamente lembrando a série “The Office”.

O pior personagem da série, Jar Jar Binks nem merecia um parágrafo neste post. Mesmo assim, lá vai. Não foi a toa que ele foi expulso do povo Gudam. Em todas as cenas, o imbecil tropeça, derruba, enfia a língua na eletricidade do Pod Racer, basicamente ele sempre aparece fazendo alguma trapalhada muito forçada e irritando a todos os espectadores. E qual foi destino da criatura? Foi eleito SENADOR!! Praticamente o Tiririca intergaláctico. Nem seriam precisos Sith’s para destruir essa república decadente.

Jar Jar claramente foi usado como escape cômico do filme, função que sempre havia sido muito bem executada R2-D2 e C-3PO, usando um humor inteligente e não o pastelão Binks. Os dois robôs sempre fizeram um papel comparável à Forrest Gump, ou seja, testemunhando momentos importantes e, metaforicamente, sendo uma agulha e costura que liga toda a história.

Os Midi-chlorian’s são outra coisa que os fãs não perdoam. Anteriormente a força era tratada com fé, na nova série ela ganhou uma abordagem cientifica fraquíssima para explicar os poderes Jedi. Um conceito bem construído no passado que não precisava ter sido alterado.

Mas nem tudo se resume a defeitos no filme. Quando as ações não dependem das vontades de Lucas, a obra sobra em qualidade. Tanto nas cenas de ação como em ambientação.

O investimento em cenário e os travellings executados pelo cineasta são de tirar o fôlego. Em cenas internas, como o Senado, residências em Tatooine, Templo Jedi, e várias outras ambientações são maravilhosos. Créditos para Gavin Bocquet no quesito design de produção.

A corrida de Pods é sensacional. A empresa de efeitos especiais, Industrial Light & Magic, caprichou nas inovações nas naves, droids, batalhas e guerra. Em parceria com um bom coreógrafo, a batalha final dos Jedi contra Darth Maul ficou espetacular, digna de ser assista inúmeras vezes. Tudo isso embalado pela trilha sonora do mestre John Willian. Não por acaso, o filme recebeu indicações ao Oscar nas categorias Melhor Som, Melhores efeitos Sonoros e Melhores Efeitos Especiais.

Com relação ao lançamento 3D, em fevereiro deste ano, Não passou de mais um caça níquel de George Lucas. O filme em 1999 não havia sido planejado para uma conversão para 3D, e isto não é um defeito. O que incomoda é a LucasFilm vender um filme com pouquíssima profundidade, nenhum efeito novo e ainda chamar isso de 3D só para chamar os fãs de volta ao cinema.

Mesmo com tantas fraquezas, Episódio 1 nos trouxe um mundo com alienígenas e planetas muito bem feito. Além de muitas inovações na parte de efeitos especiais que são créditos ao filme. Por sua vez, George Lucas ainda tem muito méritos como criador do universo Star Wars que expande a cada dia. Porém, tenho que concordar com muitas pessoas que dizem que se esta tivesse sido a primeira trilogia, não teria aglutinado tantos seguidores como os episódios anteriores fizeram.

Tudo que Star Wars: Episódio 1 tem de bom esta no vídeo abaixo, até os 02:10. Musica: Duelo of Fates, John Willian.

Luta Final entre Darth Maul vs Qui Gon e Obi Wan

http://youtu.be/dzQBB4YICwM

Comentários

comentários

About The Author

Convidado

Convidado especial @BunkerNerd.

One Response

  1. Lenin Krevonis Costa

    Man ficou horrível esse artigo, você falou coisas q os críticos te contradizem e tbm falou coisas q se os fãs soubessem iriam linchar vc.

    Responder

Leave a Reply

Your email address will not be published.